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O Gana explora na Bielorrússia soluções para reduzir as suas perdas pós-colheita

O Gana explora na Bielorrússia soluções para reduzir as suas perdas pós-colheita
Segunda-feira, 8 de Junho de 2026

No Gana, as perdas pós-colheita constituem um desafio permanente para a segurança alimentar e provocam perdas de rendimento consideráveis para os agricultores. Perante esta situação, Acra aposta na colaboração com parceiros bielorrussos para melhorar a gestão deste fenómeno.

O Gana procura reduzir as suas perdas pós-colheita inspirando-se no modelo agroindustrial bielorrusso. É neste contexto que o Presidente John Dramani Mahama realiza uma visita de Estado de cinco dias ao país, de 5 a 9 de junho, marcada por uma passagem pela cidade industrial de Brest, importante polo de agrotransformação do país.

«Estamos aqui para tirar partido da vasta experiência da Bielorrússia, enquanto trabalhamos para tornar o Gana autossuficiente em matéria de produção alimentar», declarou o Presidente, acrescentando que «um dos principais objetivos desta visita era identificar soluções técnicas para reduzir as perdas pós-colheita», segundo um comunicado do governo publicado a 7 de junho.

Um desafio estrutural que custa cerca de 2 mil milhões de dólares por ano

No Gana, as perdas pós-colheita afetam até 50% da produção agrícola anual, consoante as fileiras, sendo os produtos perecíveis como frutas, legumes e tubérculos como o inhame os mais afetados.

Segundo estimativas da Sociedade Nacional de Armazenamento de Segurança Alimentar (NAFCO), estas perdas representam um prejuízo avaliado em 1,9 mil milhões de dólares por ano. As causas deste fenómeno estão amplamente documentadas e resultam da combinação de vários fatores, entre os quais a insuficiência de infraestruturas modernas de armazenamento, a falta de cadeias de frio adequadas, a fragilidade das redes rodoviárias e a fragmentação dos sistemas de comercialização.

«Se não investirmos em infraestruturas de armazenamento, armazéns e numa boa rede rodoviária, qualquer tentativa do governo de aumentar a produção apenas irá agravar o volume das perdas pós-colheita», sublinhava Basiru Musah, responsável de programas da Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), em janeiro, durante um diálogo organizado pelo governo na região de Tamale.

Neste contexto, a aproximação à Bielorrússia revela-se particularmente estratégica, tendo em conta que o país da Europa de Leste dispõe de uma agroindústria desenvolvida e de reconhecida experiência na transformação e conservação de produtos agrícolas, áreas nas quais o Gana procura reforçar as suas capacidades.

Reforço da parceria entre Acra e Minsk no setor agrícola

Este novo interesse pela experiência bielorrussa no setor agroalimentar surge num contexto de crescente cooperação agrícola entre os dois países nos últimos meses. Em março de 2026, Minsk anunciou a intenção de exportar 3 000 tratores e outros equipamentos agrícolas para o Gana em 2026. A parceria inclui também a criação de centros de manutenção e programas de formação para técnicos locais.

Segundo as autoridades, esta cooperação deverá apoiar a ambição do governo ganês de distribuir mais de 4 000 máquinas agrícolas em 50 distritos, no âmbito da iniciativa Feed Ghana, que visa acelerar a mecanização de um setor onde cerca de 78% das operações agrícolas ainda são realizadas manualmente.

Além disso, o Gana constitui também um mercado estratégico para os exportadores bielorrussos de produtos lácteos, como a empresa Savushkin Product, líder do setor, que pretende aumentar as suas exportações para este mercado. A Bielorrússia, potência agroindustrial europeia, tem vindo desde 2025 a procurar ganhar quota no mercado leiteiro da África Ocidental, onde realizou uma primeira exportação de produtos lácteos para o Senegal.

Recorde-se que, nesta sub-região, o Gana é o terceiro maior importador de produtos lácteos, depois da Mauritânia e da Nigéria. Segundo a FAO, o país importou 57 108 toneladas de produtos lácteos, no valor de cerca de 125 milhões de dólares, no ano passado.

Stéphanas Assocle

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