Enquanto mais de 31% dos jovens malianos entre 15 e 24 anos estão sem emprego, estudo ou formação, segundo o Banco Mundial (2023), Bamaco aposta no setor mineiro para criar uma nova geração de empreendedores qualificados.
O Mali quer transformar seu subsolo em um elevador social. Esse foi o objetivo apresentado na 11.ª edição do Fórum Internacional de Empreendedorismo do Mali (FIDEM), realizada na semana passada em Bamaco.
O tema «Mineração e empreendedorismo: criar cadeias de valor locais sustentáveis» reflete, segundo as autoridades, «a firme vontade de transformar nossos recursos naturais em um motor poderoso de desenvolvimento económico, colocando o empreendedor maliano no centro desta dinâmica de criação de riqueza».
Durante a cerimónia de abertura, a ministra do Empreendedorismo Nacional, Emprego e Formação Profissional, Oumou Sall Seck, apresentou um plano baseado no «patriotismo económico», assente em quatro compromissos concretos: produção, transformação, consumo e investimento no país.
«Por que continuar a exportar nossos recursos em estado bruto? Por que deixar a criação de valor de nossas riquezas para outros?», questionou diante da assembleia.
Uma estratégia nacional para mudar de trajetória
Para concretizar esta ambição, o governo adotou uma Estratégia Nacional de Empreendedorismo, com o objetivo de transformar o país, até 2063, numa nação impulsionada pela criação de empresas. Bamaco estrutura esta visão em seis eixos prioritários, que vão desde a melhoria do ambiente de negócios até ao fortalecimento da cultura empreendedora, passando pelo acesso ao financiamento e promoção da inovação.
No Mali, o setor mineiro é uma fonte importante de receitas para o Estado. Segundo a Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas (ITIE-Mali 2023), as receitas do setor atingiram 644 mil milhões de FCFA, cerca de 1,13 mil milhões de dólares. O ouro é o pilar, com 65.910 kg extraídos, valorizados em 1.926 mil milhões de FCFA, principalmente nas regiões de Kayes e Sikasso. Historicamente, representa 75% das exportações malianas e mais de 7% do PIB. No entanto, este peso económico não se traduz em empregos qualificados e duradouros para a população.
Uma juventude em busca de oportunidades
No Mali, o panorama social é preocupante. O Instituto Nacional de Estatística (INSTAT) estimava a taxa de desemprego em 3,5% em 2024, mas esse número oculta uma realidade muito mais severa. Como na maioria dos países africanos, a economia maliana é dominada pelo setor informal e pela agricultura de subsistência, que concentram grande parte da força de trabalho em condições muitas vezes precárias.
O Boletim de Indicadores do Mercado de Trabalho 2024, publicado pelo Ministério da Economia e Finanças em outubro do mesmo ano, indica que, no período de 2021-2022, o número de desempregados era de cerca de 163.777 pessoas, ou 2,4% da força de trabalho. A proporção de mulheres desempregadas era de 3,2%, contra 1,2% dos homens.
A situação dos jovens é ainda mais crítica. A taxa de desemprego dos 15-35 anos atingia 3,6%, o nível mais alto entre todas as faixas etárias. Segundo o Afrobarometer, um quarto dos malianos entre 18 e 35 anos está em situação de total precariedade, sem emprego, escola ou formação, afetando mais as mulheres (42 a 45%) do que os homens (11 a 17%).
Nessas condições, o FIDEM 2026 coloca uma questão central sobre a inserção profissional dos malianos, especialmente da juventude. A resposta dependerá da capacidade do Mali de formar rapidamente, de forma eficaz, e de cumprir seus compromissos.
Félicien Houindo Lokossou













Bamako