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Moçambique: após Balama, surge uma nova cadeia de grafite rumo aos Estados Unidos.

Moçambique: após Balama, surge uma nova cadeia de grafite rumo aos Estados Unidos.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Terceiro maior produtor mundial de grafite, atrás da China e de Madagáscar, o Moçambique procura agora valorizar melhor este recurso no âmbito de uma política anunciada este mês. No entanto, esta orientação levanta algumas incertezas quanto ao modelo de vários projetos já em curso.

No país, a empresa britânica Total Graphite (anteriormente Tirupati Graphite) anunciou na segunda-feira, 8 de junho, a atualização do estudo de viabilidade do projeto de grafite de Montepuez. A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla que visa direcionar a produção futura para uma unidade de processamento nos Estados Unidos.

Este modelo reforça uma estrutura já existente em torno da mina de Balama, operada pela empresa australiana Syrah Resources, que fornece matéria-prima para a fábrica de ânodos de baterias em Vidalia, nos Estados Unidos, apoiada financeiramente por Washington.

No caso de Montepuez, o objetivo é desenvolver uma cadeia vertical integrada, ligando a extração no Moçambique à produção de grafite purificado para ânodos (PSG) numa instalação industrial nos EUA.

Estratégia industrial e interesse americano

O grafite é um mineral crítico essencial para baterias, sobretudo de veículos elétricos. Atualmente, o mercado mundial continua fortemente dependente da China, que domina tanto a produção como o processamento.

Os Estados Unidos procuram reduzir essa dependência, diversificando as suas fontes de abastecimento — incluindo países como o Moçambique.

Segundo a direção da Total Graphite, a associação entre a mina de Montepuez e uma futura unidade de produção nos EUA representa uma estratégia de integração vertical ao longo da cadeia de valor do grafite.

Novas regras e incertezas

Contudo, a execução destes projetos enfrenta novas restrições. Um decreto recente do governo moçambicano proíbe a exportação de minerais em bruto ou semi-processados, exceto se houver um plano de refinação local aprovado.

Esta medida pode alterar profundamente os modelos de exportação baseados no envio de matéria-prima para processamento no estrangeiro, afetando potencialmente projetos como Montepuez e Balama.

Um setor sob pressão

Além das questões regulatórias, o setor enfrenta ainda a pressão de um mercado global caracterizado por excesso de oferta e preços baixos, dominado pela China. Nesse contexto, empresas como a Total Graphite estão a rever estratégias e opções de financiamento para manter a viabilidade dos seus investimentos.

Aurel Sèdjro Houenou

 

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