Inaugurado com grande pompa a 25 de abril de 2016, o novo terminal do Aeroporto Internacional Gnassingbé Eyadéma (AIGE) celebra este mês o seu décimo aniversário. Entre explosão do tráfego, excelência em matéria de segurança e ambições logísticas, a plataforma togolesa tornou-se um dos pulmões económicos de um país que aposta na conectividade logística para transformar o seu destino.
Um crescimento que desafia as previsões
Há dez anos, o projeto parecia ousado para um Estado com 56 600 km². Com um investimento de 150 milhões de dólares, o Togo lançou um terminal de 21 000 m², triplicando a sua capacidade para atingir 2 milhões de passageiros por ano. Hoje, o balanço é claro: Lomé já não é apenas uma escala, mas um ponto de passagem incontornável para muitos viajantes da sub-região.
Em 2014, o antigo terminal processava apenas 616 000 passageiros. Em 2024, foi ultrapassada a marca de 1,5 milhão, um ano antes do previsto. A progressão não abranda: os dados de 2025 apontam para 1 584 188 passageiros, dos quais cerca de 30% em trânsito, segundo estimativas.
Esta dinâmica gera um impacto significativo. Segundo estimativas da Comissão Africana da Aviação Civil (AFCAC), a aviação contribui entre 500 e 600 milhões de dólares para o PIB togolês, ou seja, cerca de 5 a 6%, e sustenta entre 35 000 e 45 000 empregos diretos, indiretos e induzidos. Estes empregos estão distribuídos pelos setores do transporte aéreo (companhias, assistência em terra), dos serviços aeroportuários (handling, segurança, manutenção), da logística e carga, mas também em atividades conexas como turismo, hotelaria, restauração e comércio.
Uma dinâmica que poderá ainda acelerar com a implementação completa do Mercado Único do Transporte Aéreo Africano (SAATM). Promovido a nível continental por Faure Gnassingbé, designado campeão desta iniciativa pela União Africana (UA), este projeto de liberalização do espaço aéreo africano poderá gerar entre 1 e 1,5 mil milhões de dólares adicionais em cinco anos em economias como a do Togo, através da intensificação dos fluxos comerciais, turísticos e logísticos.
O “primeiro da classe” em segurança
Se o tráfego impressiona, é no domínio da segurança que Lomé se destacou. Em 2025, o Togo obteve uma taxa de conformidade superior a 90% numa auditoria de segurança da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), confirmação, segundo especialistas, da crescente adequação da sua plataforma aeroportuária aos padrões internacionais.
No plano ambiental, a infraestrutura também inicia a sua transição. Em maio de 2024, o aeroporto alcançou o nível 2 “Redução” da certificação Airport Carbon Accreditation (ACA), sinal dos esforços de gestão das emissões.
O hub da ASKY: motor da conectividade regional
O dinamismo deve-se sobretudo à companhia pan-africana ASKY Airlines, que fez de Lomé o seu hub, e ao seu parceiro estratégico Ethiopian Airlines. Em conjunto, com algumas outras companhias, operam uma rede de mais de 40 destinos a partir da capital togolesa, dos quais cerca de 30 são operados diretamente pela ASKY em 26 países africanos. Com mais de 300 voos semanais, o AIGE liga o Togo ao mundo, incluindo ligações diretas para Washington e Nova Iorque que captam fluxos de toda a sub-região.
Com uma frota de cerca de quinze aeronaves, o modelo da ASKY demonstra a sua eficácia. Desde 2015, apenas cinco anos após a sua criação, a companhia apresentou os primeiros lucros, globalmente estáveis até hoje. Uma performance rara num setor onde concorrentes diretos enfrentam frequentemente dificuldades financeiras. A sua estratégia: fazer de Lomé um ponto de passagem obrigatório, onde os passageiros convergem antes de serem redistribuídos pelas principais cidades do continente.
Rumo a 2030: entre expansão e saturação
O sucesso tem, contudo, um custo: a pressão sobre a capacidade. Com uma taxa de utilização próxima dos 80%, o aeroporto começa a aproximar-se da saturação nos horários de pico, enquanto a concorrência de Accra e Abidjan se intensifica.
Para evitar o estrangulamento, o governo lançou várias medidas. A infraestrutura atual está a ser otimizada, incluindo a construção de um hotel de marca internacional (DoubleTree by Hilton) para melhorar a gestão dos fluxos de trânsito. Em paralelo, o projeto de um terceiro aeroporto em Gbatopé, ainda em estudo, reflete a ambição do Togo em antecipar o aumento do tráfego e reforçar a sua rede aeroportuária.
Mas para além das infraestruturas, os desafios são também operacionais. Apesar do desempenho, a experiência do passageiro ainda tem margem de melhoria. Nos horários de pico, as filas de espera evidenciam limitações. As soluções biométricas e de reconhecimento facial, apresentadas como o futuro de um percurso “sem contacto”, ainda não são amplamente visíveis na experiência dos viajantes. E, estrategicamente, a consolidação do hub passa também pela diversificação das rotas, incluindo a atração de companhias de longo curso.
Um novo piloto para uma nova fase
Para iniciar esta segunda década, a Sociedade Aeroportuária de Lomé-Tokoin (SALT) chamou uma figura bem conhecida. Nomeado diretor-geral em janeiro de 2026, Kanka-Malik Natchaba regressa à liderança de uma instituição que já tinha dirigido.
O antigo ministro, formado na ENA, deverá agora conduzir a nova fase da infraestrutura aeroportuária: a transição de um modelo centrado na construção para uma lógica de desempenho operacional e comercial.
Em sinergia com o Porto de Lomé — durante muito tempo o único porto de águas profundas da região — e com a Plataforma Industrial de Adétikopé (PIA), o aeroporto integra um tripé logístico que reduz os custos de transporte para os países do hinterland.
Se, dez anos após a inauguração do seu novo terminal, o Togo provou que a dimensão geográfica não é um obstáculo à ambição, a performance já não se mede apenas em volumes, mas também em qualidade. O desafio de 2016 foi cumprido, mas a promessa de tornar Lomé no “Singapura da África Ocidental” continua em aberto.
Fiacre E. Kakpo













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire