Por ocasião do Mining Indaba na Cidade do Cabo, o BGFIBank destacou as suas ambições no financiamento do setor mineiro africano. Esta iniciativa insere-se num movimento mais amplo de bancos africanos que procuram afirmar-se num setor há muito dominado por atores estrangeiros.
O BGFIBank pretende acompanhar o desenvolvimento das indústrias extractivas em África. Este é um dos objetivos da participação do grupo bancário gabonês no Mining Indaba, a maior conferência mineira do continente, realizada esta semana na Cidade do Cabo, África do Sul. Presente em cerca de dez países africanos, o BGFIBank tem-se interessado há vários anos pelo financiamento dos intervenientes do setor em diversas jurisdições mineiras do continente.
Embora o grupo ainda não tenha anunciado operações de grande dimensão, o BGFIBank está a desenvolver progressivamente uma presença institucional junto dos atores do setor, multiplicando pontos de contacto nos ecossistemas mineiros africanos. Esta estratégia passa tanto por uma maior visibilidade nos grandes encontros do setor como por um envolvimento mais direto nos círculos profissionais.
RDC e Costa do Marfim na linha da frente
No início de janeiro de 2026, o Groupement Professionnel des Miniers de Côte d’Ivoire (GPMCI) anunciou a adesão da filial local do BGFIBank, numa iniciativa destinada a apoiar o crescimento do setor mineiro marfinense, facilitando o acesso dos atores ao financiamento.
No mesmo sentido, a filial BGFIBank RDC participa regularmente na DRC Mining Week, encontro anual dos atores do setor mineiro congolês. Durante a edição de 2025 deste evento, Isaac Ibuabu, Diretor da Divisão de Clientes Particulares & PME do BGFIBank RDC, destacou a expertise da banca em projetos mineiros, baseada em recursos humanos dedicados a cada categoria de atores, incluindo companhias mineiras e empresas subcontratadas.
Como sinal da importância atribuída à Costa do Marfim e à RDC nas ambições mineiras do grupo, os diretores-gerais das filiais marfinense e congolesa, Francesco de Musso e Kaféhé Silue, encontram-se na Cidade do Cabo esta semana. Juntamente com eles, Alain Fazili Bula, chefe da divisão dedicada a clientes empresariais do BGFIBank RDC, participou num painel sobre financiamento mineiro, sublinhando a importância das parcerias no desenvolvimento do setor mineiro africano.
Ascensão dos bancos africanos
O envolvimento de grupos bancários do continente no setor mineiro africano vai além do BGFIBank. Instituições como Ecobank, Coris Bank ou AFG Bank apoiam agora investidores mineiros na construção ou expansão de minas, assim como pequenos operadores que fornecem serviços às grandes companhias. No Mali, o marfinense AFG Bank lançou, no final de outubro de 2025, uma linha de financiamento de 100 mil milhões de FCFA (181 milhões de USD) destinada a empresas subcontratadas e fornecedores do setor. O AFG Bank também é requisitado nos Camarões para mobilizar parte do financiamento para a construção da Minim Martap, a primeira mina de bauxita do país.
A crescente presença dos bancos africanos no financiamento mineiro terá agora de passar pelo teste do tempo. Entre a sustentabilidade das iniciativas já lançadas e a ampliação do volume de financiamentos concedidos, os atores locais e regionais ainda terão de demonstrar a sua capacidade de competir com grupos financeiros internacionais que continuam a dominar amplamente o setor mineiro africano.













Marrakech. Maroc