Segunda maior instituição bancária da República Centro-Africana em termos de crédito, com uma quota de mercado de 19,95% no final de 2025, a Ecobank Centrafrique aumentou o seu capital social em 60%. Apesar deste reforço, o banco continua abaixo do mínimo regulamentar de 25 mil milhões de francos CFA exigido pela Commission Bancaire de l’Afrique Centrale até 2029.
A instituição elevou o seu capital social de 10 para 16 mil milhões de francos CFA (cerca de 17,7 para 28,3 milhões de dólares), na sequência de uma decisão aprovada durante uma assembleia-geral extraordinária realizada em 8 de junho, em Bangui, sob a presidência de Yves Dessandé.
Aumento de capital através da incorporação de reservas
A operação, anunciada a 12 de junho, consistiu num aumento de capital de 6 mil milhões de francos CFA realizado através da incorporação de reservas.
Esta decisão surge num contexto em que o banco continua a adaptar-se às novas exigências prudenciais definidas pelo regulador bancário da Communauté Économique et Monétaire de l’Afrique Centrale.
Um primeiro passo para a conformidade regulamentar
Segundo a Ecobank Centrafrique, este reforço dos fundos próprios enquadra-se na regulamentação adotada pela COBAC em 10 de dezembro de 2025.
Numa sessão extraordinária realizada em Libreville, a autoridade de supervisão bancária da CEMAC decidiu aumentar progressivamente o capital social mínimo das instituições bancárias autorizadas na sub-região, passando de 10 mil milhões para 25 mil milhões de francos CFA até 2029.
Com esta operação, a Ecobank Centrafrique aproxima-se desse objetivo. Contudo, o seu capital permanece abaixo do limiar regulamentar, sendo ainda necessário mobilizar mais 9 mil milhões de francos CFA para cumprir integralmente os requisitos da COBAC.
Um desafio para todo o setor bancário centro-africano
A Ecobank Centrafrique não é a única instituição afetada pela nova regulamentação.
As outras três instituições bancárias comerciais que operam na República Centro-Africana também terão de reforçar os seus capitais próprios:
- BGFIBank Centrafrique;
- Banque Sahélo-Saharienne pour l’Investissement et le Commerce;
- Banque Populaire Maroco-Centrafricaine.
Até ao momento, nenhuma destas instituições anunciou oficialmente as medidas que pretende adotar para cumprir os novos requisitos.
De acordo com os dados mais recentes:
- A BPMC dispõe de um capital social de 15 mil milhões de francos CFA, após uma recapitalização efetuada pelo seu principal acionista, o grupo Banque Centrale Populaire;
- A BSIC RCA possui um capital social de 10 mil milhões de francos CFA;
- A BGFIBank Centrafrique ainda não divulgou qualquer plano de reforço de capital.
Parceria recente com o Banco Africano de Desenvolvimento
O aumento de capital da Ecobank Centrafrique ocorre poucas semanas após a assinatura de uma parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento.
O acordo prevê uma facilidade de garantia para transações no valor de 5 milhões de euros (aproximadamente 5,8 milhões de dólares), destinada a apoiar operações de comércio internacional e a facilitar o acesso das empresas centro-africanas a instrumentos de financiamento do comércio externo.
Esta iniciativa deverá contribuir para o fortalecimento das atividades comerciais do setor privado e para uma maior integração da economia centro-africana nos mercados internacionais.
Chamberline Moko













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