Esta operação inédita no setor da energia na Costa do Marfim e na zona da UEMOA constitui a primeira emissão de obrigações verdes totalmente estruturada e financiada por instituições africanas.
A Africa Finance Corporation (AFC), um dos principais fornecedores de soluções de infraestruturas do continente, anunciou, na terça-feira, 14 de abril, ter desembolsado 43 milhões de euros para a obrigação verde Poro Power, de um total de 65 milhões de euros (76,6 milhões de dólares).
Este desembolso permite concluir a primeira obrigação verde de financiamento de projetos no setor da energia na Costa do Marfim e no seio da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).
Liderada pela AFC enquanto subscritora principal e co-organizadora, a operação servirá para financiar a construção de uma central solar de 66 megawatts na região de Korhogo, no norte do país. O projeto, desenvolvido pela Poro Power, deverá entrar em funcionamento em 2027.
A longo prazo, a infraestrutura deverá fornecer eletricidade a mais de 100 000 agregados familiares e evitar mais de 72 000 toneladas de emissões de CO₂ por ano. A central contribuirá assim para o objetivo nacional de aumentar para 45% a quota de energias renováveis no mix energético até 2030.
Uma procura energética em forte crescimento
Num contexto de forte crescimento da procura, o consumo de eletricidade na Costa do Marfim aumenta cerca de 10% por ano, impulsionado pela dinâmica económica e demográfica. Perante esta pressão, as autoridades apostam na diversificação do mix energético. Para além das energias renováveis, o país explora a opção nuclear, nomeadamente através de pequenos reatores modulares (SMR), para garantir o abastecimento a longo prazo.
Nesta perspetiva, o Plano Diretor de Produção-Transporte 2022-2040 prevê um aumento da capacidade instalada, de 5 127 MW em 2030 para 8 604 MW em 2040, mantendo o objetivo de 45% de energias renováveis.
Um financiamento liderado por atores africanos
Um dos aspetos mais marcantes desta primeira emissão de obrigações verdes no setor da energia na zona da UEMOA é o facto de ter sido concebida e financiada exclusivamente por instituições africanas.
«Esta transação histórica demonstra a crescente capacidade das instituições africanas de mobilizar capital e conhecimento técnico nacional para concretizar projetos estruturantes de infraestruturas. Não só contribuímos para colmatar o défice de infraestruturas, como também criamos modelos de financiamento locais, adaptáveis e replicáveis em todo o continente», afirmou Samaila Zubairu, presidente executivo da AFC.
Com esta operação, a AFC reforça a sua presença na Costa do Marfim, onde já financiou projetos como a ponte Henri Konan Bédié (1,5 km), em Abidjan, e a central hidroelétrica de Singrobo-Ahouaty (44 MW), a primeira central hidroelétrica privada da Costa do Marfim.
SG













Palais des Expositions, Alger (Safex)