Segundo o Inquérito à Rede de Energia Renovável da África do Sul publicado este ano, 117 GW de projectos encontram-se numa fase avançada e o conjunto dos projectos em preparação atinge 220 GW, contra 63 GW em 2022. Esta expansão não se reflecte, contudo, no emprego.
O aumento dos investimentos verdes na África do Sul tarda em traduzir-se num progresso líquido do emprego, apesar da multiplicação de anúncios no solar e no eólico. Os dados do «Quarterly Labour Force Survey» publicados pela Statistics South Africa em 2023 e 2024 indicam que a categoria «electricidade, gás e água» evolui num nível estável, em torno de 119 000 empregos.
Esta estabilidade contrasta com as estimativas tornadas públicas a 17 de Novembro de 2025 pela Public Investment Corporation, em colaboração com a Universidade de Oxford. Estas avaliam em cerca de 70 000 por ano o potencial de empregos associados a investimentos verdes de grande escala na África do Sul.
A comparação entre estes dados e os resultados do programa nacional de produtores independentes de electricidade renovável evidencia um desfasamento. As informações publicadas pelo Independent Power Producer Office nos seus balanços do «Renewable Energy Independent Power Producer Procurement Programme» (REIPPPP) mostram que os projectos desenvolvidos desde a primeira janela de concursos geraram sobretudo postos de trabalho na construção.
A maioria destes contratos é temporária e corresponde às fases de instalação, que geralmente se estendem por um período que vai dos 6 meses a menos de 2 anos, segundo os dados disponíveis. Os empregos permanentes ligados às actividades de exploração e manutenção permanecem limitados. Um pouco mais de 6 000 empregos permanentes foram assim criados em mais de dez anos de implementação do programa REIPPPP. Um volume muito inferior ao dos contratos temporários ligados às fases de construção.
O peso do carvão trava a expansão dos empregos verdes
A importância histórica do carvão na produção de electricidade explica em parte esta situação. A Eskom, a empresa pública responsável pela produção e transporte de electricidade, indica no seu relatório anual de 2023 que mais de 4/5 da electricidade sul-africana ainda provém de centrais térmicas alimentadas a carvão.
A preponderância do carvão no mix energético também se reflecte na estrutura do emprego. O Minerals Council South Africa, que representa as empresas mineiras, recorda nos seus dados de 2023 que o sector mobiliza cerca de 90 000 empregos directos e mais de 200 000 empregos indirectos.
Esta situação limita fortemente o peso das energias renováveis no emprego energético nacional. A este contexto junta-se a ausência de um enquadramento industrial sólido para estruturar as profissões verdes, como relatou a Agência Ecofin num artigo publicado em Julho passado.
O estado da rede eléctrica limita igualmente os empregos ligados às capacidades renováveis. Segundo o «Transmission Development Plan» 2023 publicado pela Eskom, as capacidades de transporte estão já saturadas nas localidades do Northern Cape, Western Cape e Eastern Cape, o que dificulta a ligação imediata de novas instalações renováveis.
As fontes oficiais descrevem, no entanto, elementos susceptíveis de influenciar a expansão dos empregos ligados às renováveis a médio e longo prazo. O «Transmission Development Plan» 2022-2031 da Eskom prevê a adição de linhas e transformadores destinados a aumentar a capacidade da rede, medida apresentada pela empresa como necessária para facilitar a ligação futura de novas instalações.
Em matéria de emprego, a análise de 2024 da South African Photovoltaic Industry Association reúne estimativas que vão de cerca de 98 000 postos directos a curto prazo até quase 460 000 num cenário de forte desenvolvimento de capacidades solares e eólicas.
Abdel-Latif Boureima













Egypt International Exhibition Center, Cairo