Senegal e Noruega assinam acordo para implementar o Artigo 6 do Acordo de Paris durante a COP30 no Brasil
Noruega anunciou um fundo que pode chegar a 740 milhões de dólares americanos para apoiar ações de mitigação em países em desenvolvimento
O mercado de carbono está avançando na África, atraindo financiamento para projetos de energia limpa. O Senegal procura juntar-se a esta dinâmica, estruturando sua cooperação internacional para apoiar suas ações climáticas.
Na recentemente encerrada COP30 no Brasil, a Noruega e o Senegal assinaram um acordo que abre caminho para a implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris. Esta cooperação situa o país da África Ocidental em um mecanismo que pode mobilizar financiamentos consideráveis relacionados às suas comprovadas reduções de emissões de gases de efeito estufa.
O acordo foi firmado logo após a Noruega anunciar um fundo que pode atingir até 740 milhões de dólares americanos para apoiar ações de mitigação em países em desenvolvimento.
O Artigo 6 do Acordo de Paris oferece aos países uma maneira de cooperar para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que fortalece o acesso ao financiamento climático. A primeira parte do artigo fornece orientações para transferir os resultados da mitigação entre os estados, e a segunda estabelece um mecanismo das Nações Unidas para produzir créditos de carbono de alta qualidade.
A África já tem um exemplo operacional que demonstra o potencial desse arranjo. Trata-se de uma iniciativa para distribuir fogões melhorados a carvão e madeira para famílias urbanas, periurbanas e rurais em Gana, que concluiu sua primeira emissão e venda de créditos de carbono internacionais como parte de um acordo bilateral entre Gana e Suíça. Essa experiência mostra como um acordo bem estruturado pode produzir resultados tangíveis e atrair novos investimentos.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, o mercado africano de créditos de carbono voltados à energia passou de 43 milhões de dólares em 2020 para 143 milhões em 2024. A maioria das transações vem de projetos de cozinha limpa. Embora o mercado ainda seja modesto em escala global, ele está se tornando uma ferramenta concreta para apoiar soluções de energia limpa. Neste contexto, o acordo firmado na COP30 pode oferecer ao Senegal uma margem adicional para desenvolver projetos renováveis e fortalecer sua ação climática.
Abdoullah Diop













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