O Erg do Namibe, também conhecido como Mar de Areia do Namibe, é uma das paisagens desérticas mais antigas e impressionantes do planeta. Estendendo-se ao longo da costa atlântica da Namíbia, forma uma vasta extensão de dunas móveis, moldadas pelo vento e pela luz, criando um cenário ao mesmo tempo grandioso e austero. É um exemplo notável de ecossistema desértico, onde a beleza visual se une a um profundo interesse científico.

O Erg do Namibe estende-se por centenas de quilômetros, desde o rio Kuiseb até o rio Orange, que marca a fronteira sul do país. Algumas dunas ultrapassam os 300 metros de altura, entre as mais altas do mundo. Suas cores, que variam do ocre claro ao vermelho intenso, resultam do óxido de ferro presente na areia, oxidado ao longo dos milênios pelo ar marinho e pelos ventos costeiros. Essa paisagem de pureza quase abstrata está em constante transformação: as dunas deslocam-se lentamente sob a ação dos ventos do sudoeste, formando cristas, vales e linhas de sombra que mudam conforme as estações e a luz.

O clima do Erg do Namibe é extremamente árido, com precipitações anuais geralmente inferiores a 50 milímetros. Mesmo assim, a vida persiste graças a um fenômeno singular: a névoa costeira vinda do oceano Atlântico. Ao se condensar sobre a areia e a vegetação, essa névoa fornece uma fonte preciosa de umidade. Diversas espécies se adaptaram a esse recurso raro, como o besouro-do-Namibe, que coleta água nas costas, e a planta Welwitschia mirabilis, símbolo do deserto, capaz de viver mais de mil anos absorvendo a umidade do ar.

Do ponto de vista geológico, a areia do Erg do Namibe provém em grande parte do rio Orange, que transporta sedimentos do interior do continente até o oceano. As correntes marinhas e os ventos depositam esses sedimentos ao longo da costa, onde se acumulam e são levados para o interior, formando o deserto ao longo de milhões de anos. Esse processo, iniciado há cerca de 55 milhões de anos, faz do Namibe um dos desertos mais antigos do mundo — um testemunho precioso da evolução dos climas terrestres.

Hoje, o Erg do Namibe integra o Parque Nacional Namib-Naukluft, inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2013 sob o nome Namib Sand Sea. Sua preservação é essencial, pois representa um ecossistema frágil, onde o vento, a areia e a vida mantêm um equilíbrio de grande delicadeza. O local também atrai fotógrafos e viajantes de todo o mundo, fascinados pela perfeição geométrica de suas dunas — especialmente as de Sossusvlei e Deadvlei, cujas silhuetas petrificadas testemunham a passagem do tempo nesse mundo mineral.













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