A participação da China no mercado de importações de máquinas e equipamentos em Camarões aumentou de 23,8% em 2016 para 52,5% em 2024.
Apesar da implementação dos Acordos de Parceria Econômica (APE) com a União Europeia em 2016, a participação europeia no mercado camaronês caiu de 50,1% em 2016 para 32,3% em 2024.
Em Camarões, a União Europeia e a China dominam o mercado de equipamentos industriais. Entre 2016 e 2024, Pequim se impôs com um crescimento impressionante, relegando seus concorrentes a segundo plano.
No período de 2016 a 2024, a participação da China no mercado de importações de máquinas e equipamentos em Camarões ganhou 28,7 pontos percentuais, conforme consta no relatório 2024 sobre a competitividade da economia camaronesa, publicado pelo Comitê de Competitividade. Segundo este think tank ligado ao Ministério da Economia, a participação chinesa aumentou de 23,8% em 2016 para 52,5% em 2024, tornando o Império do Meio o principal fornecedor de máquinas e equipamentos industriais para o país.
Esta ofensiva ocorreu à custa da União Europeia (UE). Embora tivesse 50,1% de participação em 2016, caiu para 29,3% em 2023, antes de subir para 32,3% em 2024. Em oito anos, a queda foi de quase 20 pontos percentuais.
Desde 2016, Camarões tem implementado os Acordos de Parceria Econômica (APE) com a UE. Esses acordos preveem a eliminação progressiva das tarifas aduaneiras sobre 80% das importações europeias durante quinze anos, em troca do acesso preferencial do Camarões ao mercado europeu. As máquinas e equipamentos industriais estão entre os produtos que se beneficiam desse acordo.
Um aumento contínuo das capacidades industriais
Contrariamente ao que se esperava, o Comitê de Competitividade afirma que a implementação dos APE não reforçou a posição dos fabricantes europeus em Camarões, mas sim tomou parte em olhar para a China. Os industriais locais argumentam que a competitividade dos equipamentos chineses é devida ao seu custo mais baixo, bem como ao acesso mais simples e barato às peças de reposição, tornando sua manutenção menos onerosa do que a dos produtos europeus.
O relatório do Comitê também menciona que a combinação dos APE e os preços competitivos dos produtos chineses aumentaram os investimentos em máquinas e equipamentos. Aumento das importações de máquinas e equipamentos industriais que "atestam um esforço contínuo para a modernização da produção em Camarões", segundo o relatório.
O quebra-cabeça da manutenção
Segundo este think tank, as importações mais do que duplicaram entre 2010 e 2024, passando de 243,7 mil milhões de FCFA em 2010 para 512,8 mil milhões em 2024. Para este último ano, o Instituto Nacional de Estatística (INS) apresenta uma estimativa ainda mais elevada: 573,6 mil milhões de FCFA, representando o maior volume de compras de equipamentos industriais em seis anos. Entre o período pré-APE (2010-2015) e o período pós-APE (2017-2024), essas importações aumentaram em média 22%, precisa o Comité de Competitividade.
No entanto, o Comitê de Competitividade aponta para um problema subestimado: a contínua deterioração das ferramentas de produção. De acordo com o relatório do Instituto Nacional de Estatística (INS) sobre a "Situação econômica e financeira das empresas em 2023", apesar do aumento dos investimentos, "a deterioração das ferramentas de produção continua, passando de 59,6% em 2022 para 60,1% em 2023". Em outras palavras, seis em cada dez equipamentos registrados nas empresas estão em mau estado de funcionamento. Os desafios de manutenção são uma causa comum, resultando em perdas de produtividade e suas consequências: queda na receita, escassez no mercado, lay-offs técnicos, etc.
Brice R. Mbodiam (Investir em Camarões)













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