O setor agrícola africano sofreu perdas na produção de $611 bilhões entre 1991 e 2023, devido a desastres naturais e choques climáticos, representando 7,4% do PIB agrícola do continente.As maiores perdas foram registradas na África Ocidental, com 13,4% do PIB agrícola perdido, refletindo alta exposição a desastres climáticos e limitada capacidade de adaptação.
O setor agrícola é um dos mais afetados por desastres naturais e eventos climáticos no mundo. Entre perdas de produção, econômicas, e impactos na segurança alimentar e nutricional, as populações dos países em desenvolvimento são as mais vulneráveis.
$611 bilhões foi o valor total da produção agrícola perdida pelo continente africano entre 1991 e 2023, devido a desastres naturais e variações climáticas, segundo um novo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), publicado na sexta-feira, 14 de novembro. O relatório "O Impacto dos desastres sobre a agricultura e a segurança alimentar 2025 - Soluções Digitais para Reduzir Riscos e Impactos", estima estas perdas em 7,4% do PIB agrícola da região, a porção mais significativa no mundo.
Por comparação, a América registrou uma perda equivalente a 5,2% do seu PIB agrícola, a Oceania 4,2% e a Europa 3,6%. Globalmente, as perdas totais foram estimadas em $3260 bilhões no período, cerca de 4% do PIB agrícola mundial. A Ásia é a região com as maiores perdas em valor absoluto, com $1530 bilhões.
Além disso, os grãos, frutas e vegetais são os alimentos mais afetados globalmente, com respectivamente 4,6 bilhões e 2,8 bilhões de toneladas perdidas, enquanto que inundações, tempestades e secas, junto com temperaturas extremas são os eventos climáticos mais devastadores.
A África Ocidental é a sub-região mais vulnerável do mundo
Embora a África seja a região mais afetada em termos relativos no mundo, não todas as suas sub-regiões são igualmente impactadas. Segundo a FAO, a África Ocidental é a sub-região mais vulnerável do mundo, com perdas equivalentes a 13,4% do seu PIB agrícola. "Esse número representa um ônus econômico excepcionalmente pesado, refletindo tanto a grande exposição da sub-região a desastres climáticos quanto sua limitada capacidade de adaptação", afirmam os autores do relatório.
A África Austral (7,6%) e a África Oriental (5,8%) vem a seguir. Segundo a FAO, a seca sem precedentes ligada ao fenômeno El Niño de 2023 afetou mais de 20 milhões de pessoas no Zimbábue, na Zâmbia e no Malawi. "O início de 2023 foi marcado pela continuidade da grave seca que assola há anos o Chifre da África, afetando mais de 36 milhões de pessoas. Na Somália, na Etiópia e no Quênia, a sequência de períodos chuvosos insuficientes resultou na morte de mais de 13 milhões de cabeças de gado", explica o relatório. A África do Norte é a região menos afetada do continente, com menos de 2% do PIB agrícola perdido.
Em face da magnitude dos danos econômicos causados por desastres nas últimas três décadas e o crescente risco climático, a FAO acredita que as ferramentas digitais são essenciais para reduzir os riscos e aumentar a resiliência dos sistemas agroalimentares. A inteligência artificial, os drones e os sensores oferecem um melhor acesso a informações integradas e utilizáveis em tempo real, permitindo assim fortalecer os sistemas de alerta precoce, tomar decisões adequadas e implementar em grande escala, rapidamente, mecanismos de transferência de riscos.
"Os regimes de proteção social estão se baseando cada vez mais em mecanismos de entrega digital para suas intervenções em caso de desastres. O sistema queniano M-Pesa transferiu $7 milhões em auxílio a 1,1 milhão de beneficiários durante a seca de 2017, enquanto o programa de transferências sociais em dinheiro do Malawi auxiliou 74.000 famílias em 2022”, indica o relatório.
Esperança Olodo













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