Os EUA anularam as tarifas alfandegárias sobre mais de 200 produtos alimentícios, o que beneficia os exportadores africanos.
Mesmo com uma participação ainda limitada, a África vem aumentando suas vendas para os EUA nos últimos anos a uma média anual de 6,05%.
A aplicação das tarifas alfandegárias impostas por Trump desde agosto de 2025 tem sido um obstáculo para os países visando o mercado americano. Enquanto Washington repensa sua posição sobre produtos alimentícios, os exportadores africanos podem manter seus fluxos nesse mercado.
Em 14 de novembro de 2025, o presidente americano Donald Trump decidiu por decreto anular as tarifas alfandegárias em mais de 200 produtos alimentícios, incluindo diversas matérias-primas agrícolas. Em um comunicado publicado em seu site, a Casa Branca indica que a medida se aplica principalmente a produtos que não são cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos, como café, chá, tomate, cacau, especiarias, carne bovina, banana, laranja, frutas tropicais e sucos de frutas.
De acordo com Washington, essa reviravolta se deve aos "substanciais" progressos recíprocos realizados nas negociações comerciais com alguns países parceiros, bem como pela relação entre a demanda interna atual por certos produtos e a capacidade de produção nacional. Segundo muitos observadores, esta redução tarifária pode ser explicada pelo "medo de uma tensão inflacionária" nos EUA.
Dados relatados pela Reuters indicam, por exemplo, que em setembro de 2025, o preço da carne moída havia aumentado cerca de 13% em um ano, enquanto o preço dos bifes subiu quase 17%, as maiores altas registradas em mais de três anos. O preço da banana subiu cerca de 7%, enquanto o das tomates teve um ligeiro aumento de cerca de 1%. No total, o custo dos alimentos consumidos em casa aumentou 2,7% em relação ao ano anterior.
A dinâmica comercial africana pode continuar
Se, segundo os observadores, a eliminação parcial das tarifas alfandegárias sobre produtos alimentícios beneficiará primeiro os grandes fornecedores dos EUA na América do Sul, Europa e Ásia, essa mudança oferece aos países africanos a oportunidade de fortalecer sua presença no mercado americano. Embora sua participação ainda seja limitada a menos de 5% das importações agrícolas e alimentícias dos EUA, a África tem mostrado um crescimento constante em suas vendas para os Estados Unidos nos últimos anos. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as compras americanas de produtos agrícolas africanos aumentaram em média 6,05% ao ano, de 3,13 bilhões de dólares em 2020 para 3,96 bilhões de dólares em 2024.
Para 2025, o USDA previa um crescimento moderado de cerca de 1% ano a ano, elevando as compras americanas do continente para quase 4 bilhões de dólares. É importante ressaltar que os principais produtos importados da África são cacau, frutas, café e especiarias, a maioria deles provenientes da região subsaariana, especialmente da Costa do Marfim, África do Sul, Gana, Madagascar ou ainda do Quênia. Nesse contexto, a eliminação parcial das tarifas alfandegárias poderá manter a dinâmica de crescimento observada nas exportações agrícolas nos últimos anos. No entanto, outro fator deve ser levado em consideração para garantir a sustentabilidade dessa dinâmica.
A força das exportações africanas de produtos alimentares vem principalmente da AGOA, um acordo comercial adotado pelos EUA em maio de 2000 que oferece aos países elegíveis da África Subsaariana acesso preferencial ao seu mercado, principalmente na forma de isenções de tarifas alfandegárias. À medida que surgem incertezas sobre a renovação desse acordo comercial, que expirou em setembro de 2025, os países beneficiários poderiam perder uma importante vantagem competitiva.
Stéphanas Assocle













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