A Namíbia está a explorar uma nova via para melhorar a sua conectividade digital nas zonas mal servidas, voltando-se para o seu vizinho Angola para tentar resolver este problema.
A operadora Telecom Namibia assinou na semana passada um acordo comercial-piloto com o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), a agência angolana responsável pelo programa espacial nacional, para testar os serviços do satélite Angosat-2.
A cerimónia teve lugar à margem da edição de 2026 do Fórum Internacional Angolano sobre Tecnologias de Informação e Comunicação (ANGOTIC), na presença dos ministros das TIC dos dois países, Emma Theofelus pela Namíbia e Mário Oliveira por Angola.
Em detalhe, a parceria visa avaliar a capacidade do satélite angolano para fornecer serviços de Internet e transmissão de dados em regiões onde as infraestruturas terrestres continuam limitadas ou dispendiosas de instalar. Os testes deverão permitir medir o desempenho técnico e a viabilidade comercial desta solução satelital.
«Através deste acordo comercial-piloto, não estamos apenas a testar uma tecnologia, estamos a moldar ativamente o futuro da conectividade na nossa região. [...] Esta iniciativa reflete o nosso compromisso em expandir a conectividade e garantir que mesmo as comunidades mais isoladas possam aceder a serviços digitais fiáveis e escaláveis», afirmou Fimanekeni Petrus, presidente da Telecom Namibia.
A iniciativa surge na sequência das discussões iniciadas em junho de 2025, em Luanda, antes do lançamento de uma fase de prova de conceito (POC) destinada a avaliar as capacidades do satélite. O novo acordo formaliza a passagem para uma fase de testes em condições reais, com o objetivo de medir o desempenho técnico, as capacidades de serviço e a viabilidade comercial da solução antes de um eventual desdobramento em larga escala.
Angosat ao serviço da sub-região
Já em agosto de 2023, Angola tinha autorizado, por decreto presidencial, a comercialização dos serviços do Angosat-2 para os países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Em 2024, o operador público sul-africano Sentech iniciou, por sua vez, testes técnicos com o GGPEN para avaliar a utilização do satélite na distribuição de conteúdos televisivos.
Lançado em 2022 e colocado em serviço no início de 2023, o Angosat-2 é um satélite de telecomunicações de alto débito (HTS) colocado em órbita geoestacionária. Opera nas bandas C, Ku e Ka, cobrindo todo o continente africano e parte da Europa. Permite fornecer serviços de Internet de alta velocidade, telefonia e televisão, incluindo em zonas sem infraestruturas terrestres. Em outubro de 2024, o Angosat-2 ajudou a ligar mais 300 000 utilizadores adicionais em Angola.
Adoni Conrad Quenum













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