Na África, as salas de aula enchem-se mais rapidamente do que os professores são formados, um défice que não para de se agravar. Perante este desafio, vários países procuram modelos comprovados para reinventar a sua escola.
A escola senegalesa surge precisamente como uma resposta. Esta é uma das conclusões do segundo encontro do Colégio Internacional de Villers-Cotterêts, realizado em Dakar de terça-feira, 9, a sexta-feira, 12 de junho, em parceria com a Agência Universitária da Francofonia (AUF - África Ocidental). Seis delegações africanas e uma francesa reuniram-se para observar diretamente, nos estabelecimentos locais, práticas que têm dado resultados.
Perante esses representantes, o Senegal apresentou o seu roteiro. Papa Malik Ndao (foto, à esquerda), secretário-geral do Ministério da Educação Nacional, transmitiu esta mensagem em nome do ministro. O governo do presidente Bassirou Diomaye Faye pretende transformar profundamente a escola senegalesa do futuro.
Um modelo nascido de um diagnóstico severo
Esta ambição assenta em três pilares. O primeiro coloca a tecnologia no centro das aprendizagens. O segundo baseia-se no Modelo Harmonizado de Ensino Bilingue no Senegal (MOHEBS), que combina línguas nacionais e francês desde o ensino primário. A formação contínua dos professores completa este tripé.
Para cada pilar, é organizada uma visita de três horas a um estabelecimento da região de Dakar, seguida de trocas com as equipas locais. No final da visita, cada delegação produzirá um relatório cruzando as práticas observadas com o seu próprio contexto nacional.
Uma avaliação recente da Fundação Bill e Melinda Gates concluiu que os alunos bilingues superam em 29 pontos os seus pares em leitura e compreensão escrita. Estes resultados abriram caminho para uma adoção nacional. Integrado no horário oficial das escolas públicas desde 2011, o dispositivo cobre atualmente 13 das 16 regiões educativas em seis línguas nacionais, com mais duas previstas para 2026. Em 2025, a Associação para a Investigação e Educação para o Desenvolvimento (ARED), que implementa o MOHEBS desde os anos 2000, recebeu o Prémio Yidan, a mais prestigiada distinção mundial na área da educação.
Um caso que interroga a estratégia continental
Estes resultados não eliminam as fragilidades. A disponibilidade de manuais continua a ser o principal obstáculo. Esta realidade ganha ainda mais relevância a nível continental. O Burkina Faso também adotou em 2024 uma fórmula harmonizada de bilinguismo, com sete línguas nacionais a coexistirem com o francês.
De forma mais ampla, a anterior Estratégia Continental para a Educação em África (CESA 2016-2025) teve um balanço considerado insuficiente pela própria União Africana. A CESA 2026-2035, adotada para corrigir o rumo, baseia-se nas lições da década anterior e foca desafios persistentes, nomeadamente as baixas taxas de conclusão, o financiamento limitado e a pressão demográfica, segundo a mesma organização.
Estes desafios são ainda mais urgentes porque a África subsariana atravessa uma crise de professores bem documentada. Em 2024, apenas 69% dos professores do ensino primário tinham formação adequada, contra 85% no ano 2000, revela a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A região terá de recrutar 15 milhões de professores adicionais até 2030, alerta a mesma organização.
Félicien Houindo Lokossou













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