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Tecnologia africana: o regresso do capital… mas não da despreocupação

Tecnologia africana: o regresso do capital… mas não da despreocupação
Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2026

Após dois anos de vacas magras, o investimento na tecnologia africana está a retomar, mas sob uma forma diferente: mais dívida, menos ilusões e um mercado que se torna mais duro, mais concentrado e mais seletivo na escolha dos seus vencedores.

O número tranquiliza. A trajetória, essa, pode suscitar debate. Com 4,1 mil milhões de dólares angariados em 2025, um aumento de 25 %, a tecnologia africana parece ter virado a página do travão brusco de 2023-2024, marcado pelo aperto monetário global e pela queda das valorizações. O mais recente relatório publicado pela Partech confirma este regresso ao crescimento. Mas por detrás desta aparente recuperação, a história que se desenha é sobretudo a de uma transformação silenciosa do financiamento: menos euforia, mais dívida e uma polarização cada vez mais acentuada. A de um ecossistema que perdeu as suas ilusões e ganhou peso. A do realismo. O mercado retoma, mas já não da mesma forma.

A dívida como sintoma

O facto mais marcante não é a retoma dos montantes, mas a sua natureza. Em 2025, a dívida representa 41 % do financiamento, ou seja, 1,6 mil milhões de dólares, um aumento de 63 %. Com 107 operações, atinge um nível inédito, tanto mais que o financiamento por dívida representava apenas 31 % em 2024 e 17 % seis anos antes.

Esta viragem não é insignificante. Assinala o surgimento de um núcleo de start-ups suficientemente maduras para aceder a financiamentos não dilutivos. Mas revela também uma forma de prudência coletiva: os fundadores procuram preservar o seu capital, os investidores limitar a sua exposição ao risco do equity. A dívida torna-se uma ferramenta de crescimento, mas também um instrumento de disciplina. E se a dívida é um sinal de maturidade, é também o reflexo de um mercado que se tornou mais exigente, menos inclinado a financiar apostas de longo prazo sem visibilidade. Em pano de fundo, conta o fim de uma era. Passa a ser indispensável apresentar receitas, margens e modelos credíveis.

O equity sob condição

O equity não desaparece. Restringe-se. Com 2,4 mil milhões de dólares distribuídos por 462 operações, cresce apenas ligeiramente (+8 %), mas muda de fisionomia. Os investidores regressam, mas com cautela. Os montantes por ronda aumentam, sobretudo nas Séries A e B, enquanto o segmento Seed continua sob pressão. Se os tickets aumentam, os dossiers são mais criteriosamente selecionados. A fase inicial da inovação paga o preço da prudência generalizada.

Este reequilíbrio traduz uma mudança de ciclo: o capital concentra-se em empresas já testadas, capazes de demonstrar tração comercial e disciplina financeira. A mensagem é clara: também em África, o capital de risco exige agora provas. A promessa, por si só, já não chega.

Uma África tech a duas velocidades

Tal como nos anos anteriores, a retoma continua fortemente concentrada.

O Quénia, a África do Sul, a Nigéria e o Egito captam, em conjunto, 72 % dos montantes angariados. O Quénia lidera em volumes, com 1,04 mil milhões de dólares, impulsionado por grandes rondas de dívida e por quatro dos nove megadeals registados em 2025.

A África do Sul retoma a liderança no equity: pela primeira vez desde 2017, ocupa o primeiro lugar no financiamento em equity, tanto em montantes como em número de operações. Um sucesso menos espetacular do que estrutural, assente num fluxo regular de transações e não em algumas operações excecionais.

A Nigéria, apesar de uma diminuição dos volumes, continua a ser um dos mercados mais dinâmicos, enquanto o Egito mantém um pipeline sólido, com tickets em crescimento. Fora destes quatro polos, o panorama é mais disperso: apenas o Senegal, Marrocos e Gana ultrapassam a fasquia dos 50 milhões de dólares angariados em equity. Uma realidade persistente permanece: o acesso ao capital continua profundamente desigual. A promessa de uma tecnologia africana verdadeiramente continental ainda assenta num número reduzido de praças fortes.

Fintech menos dominante, ecossistema mais maduro

Outro sinal estrutural: a fintech recua. Continua dominante (769 milhões de dólares angariados, ou 25 % do financiamento em equity), mas já não é hegemónica. A cleantech (550 milhões, +186 %), a healthtech (215 milhões, +232 %) e as soluções para empresas (238 milhões, +55 %) ganham força e ultrapassam, cada uma, patamares simbólicos. Pela primeira vez desde 2021-2022, vários setores não fintech ultrapassam individualmente os 200 milhões de dólares. Um sinal forte: o ecossistema africano deixa gradualmente de ser monolítico. Pela primeira vez em vários anos, a tecnologia africana já não fala a uma só voz.

Este é, sem dúvida, um dos ensinamentos mais encorajadores do relatório: a diversificação setorial deixa de ser um slogan e passa a ser uma realidade.

Um progresso lento e desigual

As start-ups fundadas por mulheres registam progressos. Lentamente. 10 % dos montantes, 19 % das operações. O número aumenta, a desigualdade persiste. Também aqui, a maturidade do ecossistema mede-se menos pelos seus recordes e mais pelos seus pontos cegos.

Fiacre E. Kakpo

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A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

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