Burkina Faso: Estado assume controlo total da Biothic Industries após incumprimento de dívidas
A empresa especializada na extração de óleos essenciais, financiada por fundos públicos desde 2020, não reembolsou as suas dívidas. O Governo decidiu converter os créditos em participação no capital e integrar a sociedade no portfólio de empresas públicas.
No Burkina Faso, o Conselho de Ministros, na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, aprovou a tomada de controlo total da Biothic Industries pelo Estado burquinense. A empresa, sediada em Léo, dedica-se à extração de óleos essenciais a partir de plantas locais.
Esta decisão surge após anos de dificuldades no reembolso de um financiamento público. Entre 2020 e 2021, a empresa recebeu 500 milhões de francos CFA (900 000 dólares americanos) do Fundo Burquinense de Desenvolvimento Económico e Social (FBDES), sendo 400 milhões FCFA concedidos como empréstimo de investimento e 100 milhões FCFA através de um mecanismo de portagem de ações, ou seja, uma participação temporária do Estado no capital da empresa. Apesar de várias renegociações dos prazos concedidas pelo FBDES, nenhum reembolso foi efetuado. No final de 2025, os créditos vencidos ascendiam a 332 milhões FCFA, cerca de 600 000 dólares americanos.
Incumprimento dos compromissos contratuais
A análise das autoridades concluiu que houve não execução dos compromissos contratuais da empresa perante o FBDES. Esta situação coloca o Estado, principal credor, em risco de perda dos recursos públicos investidos. O mecanismo de portagem de ações previa que a empresa recompra as ações detidas temporariamente pelo Estado. A ausência de reembolso do empréstimo e o não cumprimento deste dispositivo levaram o Governo a considerar outra opção: a tomada de controlo direto.
Uma nacionalização para relançar as atividades
“O controlo desta empresa permitirá ao Estado manter permanentemente as ações e transformar a operação de portagem numa participação definitiva. Permitir-lhe-á também converter os créditos do FBDES em capital, reforçando a posição do Estado na empresa e reorganizando a governança da Biothic Industries SA com vista à sua relançamento efetivo”, refere o comunicado do Conselho de Ministros. Acrescenta ainda: “A adoção deste relatório permite a tomada de controlo total das ações da Biothic Industries SA pelo Estado e a sua integração no portfólio de empresas públicas”.
A Biothic passa assim a integrar o portfólio de empresas públicas, com as autoridades a visar o relançamento da unidade industrial e uma melhor valorização dos recursos locais utilizados na produção de óleos essenciais.
Chamberline Moko













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