A empresa-mãe do Access Bank, o maior banco da Nigéria em termos de ativos, está obrigada a cumprir os novos requisitos do Banco Central no que diz respeito à limitação dos investimentos das holdings financeiras no estrangeiro. Esta conformidade, no entanto, poderá contrariar as ambições de expansão do grupo em África.
O grupo nigeriano de serviços financeiros Access Holdings anunciou, na terça-feira, 5 de maio, que irá reduzir as suas participações em subsidiárias bancárias no estrangeiro no prazo de 12 meses, para cumprir as novas regras impostas pelo Banco Central da Nigéria (CBN), que limitam os investimentos de capital no exterior a 10% dos fundos próprios dos acionistas.
O diretor executivo do grupo, Innocent Ike, fez este anúncio durante uma conferência telefónica com investidores.
“A questão do investimento no estrangeiro consta da secção 19 das novas diretrizes do Banco Central da Nigéria para holdings financeiras, que limita esses investimentos a 10% dos fundos próprios. Foi-nos dado um prazo de 12 meses para corrigir totalmente esta situação”, afirmou.
As novas regras impostas pelo regulador do sistema bancário nigeriano deverão limitar significativamente as ambições de expansão internacional do grupo. A Access Holdings possui subsidiárias em 24 países e três continentes, resultado de várias aquisições realizadas nos últimos anos, num contexto marcado pela retirada de bancos europeus dos mercados da África subsaariana.
Durante o ano de 2025, a holding fundada por Aigboje Aig-Imoukhuede e pelo falecido Herbert Wigwe concluiu três aquisições importantes: uma participação de 74,9% na filial da Standard Chartered Bank na Gâmbia, a divisão de banca de retalho do Standard Chartered na Tanzânia e uma participação de 76% no AfrAsia Bank.
Impacto negativo esperado nos lucros do grupo
De acordo com as demonstrações financeiras da Access Holdings para o último exercício, os fundos próprios dos acionistas totalizavam 4 253 mil milhões de nairas (3,09 mil milhões de dólares) em 31 de dezembro de 2025. O limite de 10% nos investimentos estrangeiros restringe o montante total que o grupo pode deter em filiais no exterior a cerca de 425,3 mil milhões de nairas. Isto obriga o grupo a reduzir participações em algumas filiais para posições minoritárias e a vender ativos menos rentáveis.
Estas operações de alienação poderão, contudo, afetar o desempenho da Access Holdings. Os últimos resultados financeiros mostram que o lucro antes de impostos das operações na Nigéria caiu, enquanto as atividades no resto de África se tornaram o principal motor de crescimento do grupo. O lucro antes de impostos das operações nigerianas caiu para 584 mil milhões de nairas, contra 723 mil milhões no ano anterior. Já o lucro proveniente do resto de África subiu para 284 mil milhões de nairas, enquanto as operações internacionais contribuíram com 289 mil milhões.
Segundo analistas, esta limitação visa mobilizar mais recursos para o financiamento da economia local. Ao restringir a parte do capital investido no estrangeiro, o Banco Central da Nigéria deixa claro que o mercado interno deve continuar a ser a prioridade dos bancos comerciais do país.
Walid Kéfi













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.