O primeiro ministro senegalês, Ousmane Sonko, recusou a proposta de reestruturação da dívida pública feita pelo FMI, apesar de preocupações quanto à trajetória fiscal do país.
O FMI não conseguiu chegar a um novo acordo de empréstimo com o Senegal, após suspender um programa prévio avaliado em 1,8 bilhões de dólares devido ao descobrimento de passivos fora do balanço, estimados agora em mais de 11 bilhões de dólares.
O Senegal prefere manter sua dignidade, afirmou o primeiro ministro senegalês, rejeitando a proposta de reestruturação da dívida pública feita pelo FMI, enquanto o mercado e as agências de classificação de risco observam a trajetória fiscal do país.
O primeiro ministro senegalês, Ousmane Sonko, descartou no sábado, 8 de novembro de 2025, a possibilidade de reestruturação da dívida pública, argumentando que tal medida, sugerida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), seria uma "vergonha" para o país, em um momento que a instituição expressa dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal do Senegal.
Falando em uma reunião do Pastef em Dakar, Sonko denunciou a "dívida oculta" deixada pelo regime anterior e garantiu que o governo cumprirá seus compromissos financeiros sem recorrer à anulação ou ao refinanciamento da dívida. "O que nossos parceiros nos dizem é para reestruturar esta dívida abissal que descobrimos. Mas fomos claros: não é uma opção. Seria uma humilhação para nosso povo", declarou diante de seus apoiadores, referindo-se à "honra e dignidade do Senegal".
Na quinta-feira, 6 de novembro, o FMI concluiu uma missão em Dakar sem chegar a um novo acordo de empréstimo. A instituição tinha suspendido um programa anterior de 1,8 bilhão de dólares em 2024 após a descoberta de passivos fora do balanço, agora estimados em mais de 11 bilhões de dólares. Segundo o FMI, a dívida pública total - incluindo a das empresas estatais - chegou a 132% do PIB no final de 2024, com cerca de 4% de atrasos domésticos.
Previsões fiscais consideradas demasiado otimistas
As projeções fiscais também preocupam a instituição pela sua otimismo excessivo. As autoridades estão contando com um crescimento médio anual de 15% nas receitas fiscais entre 2025-2028, graças à introdução de novos impostos sobre o jogo, tabaco, bebidas alcoólicas, transferências de dinheiro e pagamentos em dinheiro. Contudo, as receitas reais têm sido consistentemente inferiores às previsões.
Uma aposta nos recursos internos
O primeiro ministro, que em agosto revelou um plano de recuperação visando financiar 90% dos investimentos públicos com recursos internos, defende uma mudança em direção à soberania financeira. Sonko declarou: "Senegal é um país digno. Não queremos ser tratados como um Estado falido. Cumpriremos nossas obrigações com nossos próprios recursos".
Esta mudança será posta à prova nos próximos dias, uma vez que os títulos senegaleses sofreram nova pressão no mercado secundário no final da semana passada. Os investidores aguardam agora duas datas importantes: o próximo leilão regional marcado para 14 de novembro e a revisão da classificação de risco pela Standard & Poor’s, anunciada para 16 de novembro, que podem influenciar a percepção do risco soberano do país.
Este ano, o Senegal tem se voltado fortemente para o mercado financeiro regional da UEMOA para suprir suas necessidades fiscais, favorecendo emissões de títulos do tesouro e leilões locais em vez de empréstimos estrangeiros.
Edward Gemayel, chefe de missão do FMI, declarou que as discussões continuarão nas próximas semanas e uma avaliação da sustentabilidade da dívida determinará se uma reestruturação é necessária para permitir que o Senegal acesse um novo financiamento.
Fiacre E. Kakpo












