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Gabão: setor privado capta cerca de 80% dos créditos bancários no final de 2025

Gabão: setor privado capta cerca de 80% dos créditos bancários no final de 2025
Segunda-feira, 13 de Abril de 2026

Os empréstimos concedidos às empresas privadas são principalmente impulsionados pelos setores da energia, da mineração e da agricultura.

No Gabão, o setor privado afirma-se como o principal beneficiário do financiamento bancário, segundo a nota de conjuntura do quarto trimestre de 2025 publicada pela Direção-Geral da Economia e da Política Fiscal.

Em alta de 10,5% apenas no último trimestre do ano, os créditos concedidos a este setor representam 78,4% do total dos empréstimos atribuídos pelos bancos comerciais. O Ministério da Economia não especifica, contudo, os montantes correspondentes a estas proporções.

Esta dinâmica, que eleva o crescimento anual do stock de crédito ao setor privado para 9,6% ao longo de 2025, é impulsionada principalmente por três setores: eletricidade e gás, atividades extrativas (petróleo e minas) e agricultura.

Ao mesmo tempo, os financiamentos concedidos ao Estado recuaram no período. Eles caíram 35% no quarto trimestre de 2025. As empresas públicas, por sua vez, continuam pouco financiadas, com apenas 7,4% do total dos créditos, apesar de uma ligeira progressão do seu stock.

Apesar do aumento global do crédito e de uma ligeira subida do total do balanço dos bancos (+2,2%), alguns indicadores suscitam preocupações. Os depósitos dos clientes recuam 2,9%, refletindo uma pressão crescente sobre a liquidez das instituições financeiras.

Mais preocupante ainda, a qualidade das carteiras de crédito está a deteriorar-se. De facto, os créditos em incumprimento aumentaram em 2025, crescendo 21,4% para atingir 9,7% dos créditos brutos, o que poderá levar as instituições financeiras a adotar uma abordagem mais prudente na concessão de novos empréstimos.

A esta fragilidade soma-se um contexto monetário mais restritivo. O BEAC aumentou, em dezembro de 2025, a sua taxa diretora em 25 pontos base, elevando-a para 4,75%, contra 4,50% anteriormente. Esta decisão foi mantida no primeiro trimestre de 2026 para preservar a estabilidade monetária, num contexto marcado pela queda das reservas de divisas e pela redução da taxa de cobertura externa da moeda, que caiu para 67%.

A subida das principais taxas diretoras do BEAC também contribuiu para encarecer o custo do crédito na Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) no final de 2025. Segundo o último relatório de política monetária do BEAC, publicado após a reunião do Comité de Política Monetária de 2 de abril, a taxa efetiva global média (TEG) passou de 9,71% no terceiro trimestre para 11,50% no quarto trimestre de 2025.

Sandrine Gaingne

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