Entre a persistente fraqueza dos preços mundiais e os desafios regulamentares, a Atlantic Lithium mantém a sua ambição de dotar o Gana da sua primeira mina de lítio. Neste contexto, a empresa continua a contar com o apoio dos seus investidores na Bolsa.
A companhia mineira australiana Atlantic Lithium anunciou, na terça-feira, 17 de março, ter concluído acordos com investidores bursáteis para mobilizar um total de 16,4 milhões de dólares. Uma vez assegurados, os fundos servirão para financiar os trabalhos de desenvolvimento do seu projeto Ewoyaa, que se perfila como a futura primeira mina de lítio do Gana.
Investidores ganeses em ação
Em detalhe, a maior parte do financiamento anunciado provém de investidores ganeses, com uma contribuição de até 11 milhões de dólares. A este montante soma-se um aumento de capital de 5,4 milhões de dólares apoiado pelo fundo de investimento privado Long State Investments. Graças a estes aportes, a Atlantic Lithium estima poder continuar a avançar no projeto Ewoyaa, com o objetivo de progredir rumo ao início dos trabalhos de construção.
«O interesse dos investidores ganeses na Atlantic Lithium demonstra uma vontade mais ampla no Gana de ver o país cumprir as suas promessas em matéria de recursos minerais essenciais e diversificar as suas fontes de receita para além do portfólio atual, centrado no ouro. Este investimento estratégico oferece aos investidores ganeses a oportunidade de se tornarem acionistas destes ativos, permitindo à empresa aceder progressivamente a capital à medida que forem alcançadas as etapas-chave do projeto», declarou Keith Muller, diretor-geral da Atlantic Lithium.
Com o Ewoyaa, a empresa planeia uma mina de lítio capaz de produzir um total de 3,6 milhões de toneladas de concentrado de espoduménio durante 12 anos. Embora ainda faltem mobilizar os 185 milhões de dólares necessários à implementação do projeto, a Atlantic Lithium apoia-se, para já, em sucessivas captações de fundos para financiar os trabalhos preliminares. Esta abordagem ocorre num contexto de divergências persistentes com a Elevra Lithium (ex-Piedmont Lithium), sua parceira no projeto.
Um litígio por resolver
Desde 2021, a Atlantic e a Elevra estão ligadas por um acordo que prevê um investimento total de 70 milhões de dólares por parte da Elevra para o desenvolvimento do projeto Ewoyaa, em troca de uma participação de até 50%. Até agora, a Elevra detém 22,5% das ações, devendo contribuir para os custos nessa proporção. Contudo, há vários meses, a Atlantic relata um diferendo com a Elevra sobre certas despesas relacionadas com a futura mina, sem especificar todos os detalhes.
«No momento da redação deste relatório, a empresa está em desacordo com a Elevra relativamente às despesas do projeto, conforme definido no acordo do projeto. A empresa prossegue as discussões com a Elevra sobre os montantes em litígio, e um processo de resolução está previsto no acordo do projeto, incluindo negociações de boa-fé e recurso à arbitragem», lê-se no relatório anual publicado em janeiro.
Neste contexto, a implementação do projeto permanece incerta enquanto este diferendo não for resolvido. A situação levanta também questões sobre as modalidades previstas por ambas as partes para mobilizar o financiamento necessário à construção. Entretanto, permanecem outros desafios, incluindo a ratificação da licença de exploração pelas autoridades ganesas, autorização indispensável para o início dos trabalhos, que continua a atrasar o progresso do projeto.
A isto soma-se um mercado de lítio sob pressão desde 2023, o que pesa ainda mais sobre as perspetivas de desenvolvimento do projeto. A Atlantic Lithium, porém, pôde contar com o apoio do Estado ganês, que reviu o regime de royalties inicialmente previsto para o ajustar aos níveis atuais de preços. A concretização do Ewoyaa poderá ser determinante para o país, cuja economia continua largamente dependente das receitas do ouro. Para além dos royalties e outros impostos, o Estado deverá deter 13% das ações da futura mina.
Aurel Sèdjro Houenou













Marrakech. Maroc