Esta aquisição, cuja conclusão está prevista entre junho e setembro, permitirá à empresa gabonesa reforçar o seu posicionamento no mercado nacional e apoiar o desenvolvimento de projetos de infraestruturas.
A holding ACK, do empresário gabonês Alain-Claude Kouakoua, oficializou no domingo, 19 de abril, a assinatura de um acordo para a aquisição da empresa de construção e obras públicas Colas Gabão, filial do grupo francês Bouygues.
A conclusão da transação, cujo montante não foi divulgado, é esperada nos próximos meses. De acordo com os termos do acordo, a Holding ACK assume os ativos industriais da Colas Gabão, incluindo pedreiras, instalações de produção e a totalidade do pessoal, num total de 254 trabalhadores.
O objetivo é assegurar a continuidade das operações, ao mesmo tempo que se reforça a presença de um operador local num setor estratégico. «Esta etapa marca um ponto de viragem para a Holding ACK. Estamos orgulhosos de acolher as equipas da Colas Gabão e as suas competências, que irão reforçar a nossa capacidade de desenvolver projetos estruturantes no Gabão», declarou Kouakoua, também presidente da Federação das Empresas Gabonesas (FEG), a principal organização patronal do país.
Do lado francês, esta saída explica-se pela vontade de garantir a continuidade das atividades através de um «ator local sólido», mais bem posicionado para assegurar a continuidade das operações em benefício das equipas, dos clientes e dos parceiros, indicou Pierre Gilles Douriez, diretor regional da Colas para o Magrebe, África Central e Ocidental. No entanto, para além deste discurso oficial, a saída do grupo francês ocorre alguns anos após um período de fortes turbulências.
A sombra do caso das sobrefaturações
Presente no Gabão há quase 50 anos e ator-chave em projetos históricos como o Transgabonês, o grupo Colas viu a sua reputação fragilizada em 2021, após ter sido acusado pela task force responsável pela dívida externa de ter sobrefaturado obras rodoviárias no país. Em particular, os trabalhos de reabilitação da estrada PK5–PK12 (2x2 vias), na única via que liga Libreville, a capital, ao resto do país, foram faturados pela Colas a 10 mil milhões de FCFA (18 milhões de dólares) por quilómetro, quando, segundo as autoridades, o custo médio varia entre 800 milhões e 1 mil milhão de FCFA.
Na sequência destas acusações, a Colas comprometeu-se a asfaltar 9,5 km de estrada para compensar a sobrefaturação. No entanto, não foi posteriormente divulgada qualquer informação oficial que confirme o cumprimento deste compromisso.
A filial do grupo francês Bouygues participou em vários projetos no Gabão, incluindo o desenvolvimento do Transgabonês, a única linha ferroviária do país, inaugurada em 1986.
Sandrine Gaingne













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