Esta medida emblemática visa estabilizar o franco congolês e combater o branqueamento de capitais, anunciou o Banco Central do Congo (BCC).
Na República Democrática do Congo (RDC), onde o dólar norte-americano domina as transações, o governador do Banco Central do Congo (BCC), André Wameso, apresentou uma medida que pretende restringir o uso de numerário em dólares a partir de abril de 2027.
Esta viragem estratégica foi divulgada à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington, com o objetivo de recuperar o controlo de uma massa monetária que escapa amplamente ao circuito formal, segundo as autoridades congolesas.
«Os dólares que importamos não permanecem na economia formal», lamentou Wameso, sublinhando que milhares de milhões de dólares em numerário circulam todos os anos pelos bancos comerciais sem serem depositados de forma duradoura. Segundo o governador, uma parte significativa dessas divisas acabaria por alimentar países vizinhos, criando um desafio importante de rastreabilidade.
Sair da “lista cinzenta”
Esta política de desdolarização insere-se na vontade de Kinshasa de alinhar o país com os padrões internacionais e sair da “lista cinzenta” do Grupo de Ação Financeira (GAFI). A permanência nesta lista de jurisdições sob vigilância reforçada prejudica a credibilidade financeira do país e o seu acesso aos sistemas bancários globais.
As contas bancárias em dólares continuarão a ser permitidas, mas os pagamentos deverão progressivamente passar para meios eletrónicos. Está prevista uma fase de transição de um ano, acompanhada de uma possível amnistia para incentivar o depósito de dinheiro em numerário no sistema bancário.
Com esta iniciativa, a RDC junta-se a outros países africanos como a Tanzânia ou a Zâmbia, que recentemente reforçaram as regras sobre o uso de moedas estrangeiras nas transações internas.
O desafio da informalidade
O desafio permanece enorme para este país da África Central, marcado pelas consequências da hiperinflação dos anos 1990. Segundo o FMI, cerca de 90% dos depósitos e 97% dos empréstimos continuam denominados em dólares.
“As medidas propostas representam um passo significativo (…) mas os riscos de execução são elevados devido à dimensão da economia informal”, observa Alexander Venter, economista da Oxford Economics, citado pela Bloomberg.
Ainda assim, as autoridades apostam numa dinâmica favorável: o franco congolês valorizou-se cerca de 30% face ao dólar em 2025. Para sustentar esta tendência, o BCC tem lançado várias iniciativas, incluindo obrigações a seis meses e parcerias com a Visa e a Mastercard para modernizar os pagamentos.
Sinais positivos dos mercados
Apesar do conflito persistente no leste do país com a rebelião do M23, os mercados mantêm um otimismo cauteloso. A RDC conseguiu recentemente o seu primeiro eurobond, angariando 1,25 mil milhões de dólares.
“Se os mercados compram obrigações congolesas a 10 anos, isso significa que estão a apostar na paz”, afirmou o governador. Em paralelo, o banco central avança na constituição de reservas de ouro provenientes de produção local “sem conflito”, para reforçar as reservas financeiras.
Fiacre E. Kakpo













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