Enquanto os sistemas de defesa autónomos concebidos pela empresa já protegem infraestruturas avaliadas em cerca de 11 mil milhões de dólares em África, a nova fábrica insere-se numa estratégia que visa criar uma base industrial de defesa soberana no continente.
A Terra Industries, uma empresa nigeriana especializada na fabricação de drones e outros sistemas de defesa autónomos, anunciou, no domingo, 19 de abril, a construção de uma fábrica no Gana para aumentar a sua capacidade de produção e responder a uma procura crescente no continente.
Batizada “Pax-2”, esta unidade está a ser construída num terreno com 3.150 m² na capital ganesa, Acra. Servirá como principal base regional para a produção de drones e sistemas anti-drones destinados à proteção do continente e das suas infraestruturas críticas.
A empresa, que já opera uma primeira unidade de produção (“Pax-1”) em Abuja, na Nigéria, apresenta esta nova instalação como a maior fábrica de drones em África. A capacidade anual de produção deverá atingir 50.000 unidades até 2028, segundo as suas projeções.
A entrada em funcionamento está prevista para o final de junho de 2026. O local deverá criar cerca de 120 postos de trabalho para engenheiros e operar de forma contínua, a fim de responder à procura regional por sistemas de defesa aérea. Entre os sistemas produzidos destacam-se o drone de vigilância e ataque de longo alcance Archer VTOL, o drone Iroko, concebido para desdobramento tático rápido, e o Kama, um drone interceptor de alta velocidade desenvolvido para defesa anti-drones.
Este anúncio surge após duas rondas de financiamento consecutivas, concluídas em janeiro e fevereiro de 2026, totalizando 34 milhões de dólares, com o objetivo de apoiar a expansão industrial da empresa e reforçar as suas equipas técnicas em África.
Responder às ameaças de grupos armados
A implantação da empresa no Gana insere-se na sua missão de criar uma base industrial de defesa soberana em África. Surge também num contexto de transformação dos conflitos modernos no Sahel e na África subsaariana, onde grupos armados recorrem cada vez mais a drones comerciais modificados e drones com fibra ótica como sistemas de ataque. Estas táticas, já observadas em conflitos recentes no Médio Oriente e na Europa de Leste, estão a acelerar a procura por sistemas de defesa integrados que combinem vigilância, guerra eletrónica e resposta cinética.
«A única forma de África alcançar uma paz duradoura é unir-se para construir uma defesa soberana, em vez de depender de uma arquitetura de segurança externa. Temos de assumir o nosso destino, criando as ferramentas e os sistemas necessários para nos proteger. É assim que o continente vencerá o terrorismo», afirmou o cofundador e CEO da Terra Industries, Nathan Nwachuku.
Fundada em 2024 por Nathan Nwachuku e Maxwell Maduka, a Terra Industries desenvolve uma gama de soluções que inclui drones, torres de vigilância autónomas, veículos terrestres não tripulados e sistemas de monitorização marítima. Tudo isto assenta no ArtemisOS, uma plataforma de software proprietária que permite a deteção e gestão de ameaças em tempo real, o planeamento autónomo de missões e a coordenação de intervenções em ambientes vastos e complexos, onde os modelos tradicionais de segurança têm dificuldade em operar.
Segundo a empresa, as suas soluções já estão implementadas em vários locais em África, contribuindo para a proteção de infraestruturas avaliadas em cerca de 11 mil milhões de dólares. A empresa refere ainda contratos no valor de dezenas de milhões de dólares e um portefólio de projetos nos setores público e privado, incluindo centrais elétricas na Nigéria e minas na Nigéria e no Gana. Destaca, por fim, a sua expansão nas áreas de segurança transfronteiriça e combate ao terrorismo.
Walid Kéfi













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