O recurso ao franco ruandês visa reduzir a dependência de moedas estrangeiras. Em 2023, esta moeda sofreu uma desvalorização de 18,05% face ao dólar, evidenciando os riscos associados aos empréstimos em moedas fortes, segundo o Ministério das Finanças.
A Development Bank of Rwanda (BRD), o Banco de Desenvolvimento do Ruanda, mobilizou o equivalente a 11 milhões de dólares em francos ruandeses através de uma nova emissão obrigacionista destinada a financiar pequenas empresas, habitação acessível e determinadas atividades industriais. O anúncio foi feito no domingo, 17 de maio.
Estes fundos foram captados junto do ALCB Fund, gerido pela Cygnum Capital, com o apoio da TCX, um investidor internacional que contribuiu para reduzir os riscos ligados às flutuações cambiais para os investidores estrangeiros. Segundo o banco, esta operação, realizada através da reabertura de uma obrigação ligada ao desenvolvimento sustentável (« Sustainability-Linked Bond – SLB »), marca a primeira participação de um investidor internacional numa emissão em moeda local no Ruanda.
Reduzir a exposição aos riscos cambiais
Os fundos servirão, nomeadamente, para financiar pequenas e médias empresas (PME) que, segundo o Ministério ruandês do Comércio e da Indústria, representam cerca de 98% do tecido económico nacional, empregam mais de 2,5 milhões de pessoas e contribuem com aproximadamente 33% do PIB.
Parte dos fundos será destinada à habitação acessível, um desafio social num país confrontado com uma urbanização rápida e uma forte pressão imobiliária. A BRD prevê igualmente apoiar projetos industriais e empresas lideradas por mulheres.
A diretora-geral da BRD, Stella Rusine Ntez, sublinhou que esta transação demonstra que os investidores internacionais confiam cada vez mais nas soluções de financiamento locais quando existem mecanismos de apoio adequados.
Para o banco, o recurso ao franco ruandês deverá permitir financiar a economia local, limitando ao mesmo tempo a dependência de empréstimos em moedas estrangeiras e reduzindo assim os efeitos negativos das flutuações cambiais.
Num relatório publicado em 2024 pela Making Finance Work for Africa, uma iniciativa lançada em 2007 pelo G8 para apoiar o desenvolvimento dos sistemas financeiros em África, 69% dos bancos africanos reconhecem estar fortemente expostos ao risco cambial, que resulta essencialmente da assimetria criada pela mobilização de financiamentos em moedas fortes (euro e/ou dólar) e pela concessão de empréstimos em moedas locais.
SG













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.