BNP Paribas condenado a pagar $20,5 milhões a três refugiados sudaneses por facilitar a finança de atrocidades no Sudão pelo regime de Omar el-Béchir.
Decisão marca um possível precedente para milhares de ações semelhantes de exilados sudaneses.
Um júri federal dos Estados Unidos condenou o BNP Paribas a pagar 20,5 milhões de dólares a três refugiados sudaneses. O tribunal acredita que o banco francês ajudou o regime de Omar el-Béchir a financiar atrocidades no Sudão.
Um corpo de jurados federal em Manhattan decidiu na sexta-feira, 17 de outubro de 2025, que o BNP Paribas auxiliou o governo sudanês a cometer atrocidades durante o regime de Omar el-Béchir, fornecendo serviços bancários em violação às sanções americanas.
O banco francês foi condenado a pagar 20,5 milhões de dólares a três refugiados sudaneses agora residentes nos Estados Unidos, que testemunharam sobre a violência sofrida durante as campanhas de limpeza étnica em Darfur, no Sudão do Sul e nas Montanhas Nuba. Este veredicto, considerado histórico, pode abrir caminho para milhares de outras ações semelhantes por parte de exilados sudaneses.
"Nossos clientes perderam tudo em uma campanha de destruição alimentada por dólares americanos, que o BNP Paribas ajudou a circular", afirmou seu advogado Bobby DiCello, comemorando uma vitória simbólica, após vários anos de processo.
O BNP Paribas imediatamente anunciou sua intenção de recorrer, afirmando que a decisão baseou-se em uma "interpretação errada da lei suíça" e que o banco não pôde apresentar todos os elementos em sua defesa.
O julgamento, conduzido pelo juiz Alvin Hellerstein, concentrou-se em saber se os serviços financeiros do banco haviam sido uma causa direta dos crimes cometidos pelo regime sudanês. Em uma decisão anterior, o juiz considerou que havia evidências que mostravam uma ligação entre as operações do banco e os abusos cometidos contra a população civil.
Em 2014, o BNP Paribas já havia se declarado culpado e pagou uma multa recorde de 8,97 bilhões de dólares por transferir fundos para entidades sudanesas, iranianas e cubanas sob sanções americanas. Esta penalidade foi considerada humilhante em Paris, especialmente porque outros bancos americanos envolvidos em escândalos semelhantes (crise das subprime, lavagem de dinheiro, paraísos fiscais) foram poupados ou condenados a montantes menores. Alguns diplomatas franceses viram isto como um ato político em vez de uma simples ação judicial.
O novo veredicto de Manhattan (outubro de 2025) acontece num contexto de relações transatlânticas tensas em assuntos econômicos e regulatórios.












