A British International Investment atua como investidor de referência num fundo de financiamento misto dedicado ao financiamento de projetos climáticos nas economias emergentes. Esta iniciativa ilustra as novas abordagens implementadas para mobilizar capitais privados face à urgência climática.
A agência britânica de financiamento do desenvolvimento, British International Investment (BII), anunciou na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o seu compromisso como investidor de referência num fundo de financiamento misto de mil milhões de dólares destinado a apoiar investimentos climáticos nos países emergentes.
A British International Investment (BII) irá aportar 40 milhões de dólares ao fundo Allianz Credit Emerging Markets (ACE), gerido pela Allianz Global Investors, segundo um comunicado conjunto. O fundo, lançado na segunda-feira em Londres, já reuniu 690 milhões de dólares em compromissos.
O mecanismo baseia-se numa estrutura de blended finance (financiamento misto), que combina capitais públicos e privados. Instituições de financiamento do desenvolvimento e credores multilaterais fornecerão cerca de 150 milhões de dólares em capitais concessionais, com o objetivo de absorver eventuais perdas iniciais, enquanto se espera que os investidores privados contribuam com até 850 milhões de dólares.
Caso atinja o seu objetivo, o fundo ACE figurará entre os maiores veículos de financiamento misto alguma vez criados. O seu objetivo é financiar projetos nas áreas das energias renováveis, dos transportes limpos, da agricultura e dos serviços financeiros em diversas economias emergentes.
Segundo os promotores do fundo, cerca de 40% dos desembolsos serão direcionados para África, uma proporção claramente superior à observada em fundos comparáveis. O restante será distribuído por outras regiões emergentes.
O financiamento misto tem suscitado um renovado interesse, à medida que governos e doadores procuram colmatar o enorme défice do financiamento climático global, estimado em vários biliões de dólares por ano. Apesar deste entusiasmo, o financiamento misto não reúne consenso. Avaliações realizadas pela OCDE e pelo Banco Mundial apontaram para a complexidade destes mecanismos, bem como para a sua forte dependência de fundos públicos concessionais. Sobretudo, os volumes efetivamente mobilizados continuam a ficar aquém das necessidades reais.
Fiacre E. Kakpo













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