O Egito, que ambiciona tornar-se o principal polo têxtil do Mediterrâneo, está a multiplicar incentivos fiscais, fundiários e aduaneiros para atrair investidores estrangeiros, reforçar as suas capacidades de produção e aumentar as exportações.
O grupo italiano de têxtil e vestuário Oniverse (antiga Calzedonia) prevê instalar duas fábricas no Egito, anunciou a Autoridade Geral Egípcia para o Investimento e Zonas Francas (GAFI) na quarta-feira, 20 de maio.
O anúncio surge na sequência de uma reunião realizada no Cairo entre o presidente executivo da GAFI, Mohamed Awad, e uma delegação da Oniverse liderada por Francesco Ruvolo, diretor das operações de produção das unidades da empresa na Bósnia e na Croácia.
Citado num comunicado da GAFI, o representante do grupo afirmou que a empresa pretende “estabelecer uma cadeia de produção totalmente integrada no Egito, desde o fabrico do fio até às peças de vestuário acabadas”, sem, contudo, revelar o montante do investimento.
Ele acrescentou ainda que toda a produção será destinada à exportação para os mercados internacionais, com início previsto até ao final de 2027.
As duas unidades industriais, que deverão gerar mais de 3.000 empregos diretos, serão desenvolvidas no âmbito do regime egípcio de zonas francas privadas. Este dispositivo oferece aos investidores estrangeiros várias vantagens, incluindo isenções fiscais e aduaneiras, liberdade de repatriamento de lucros, propriedade estrangeira a 100% e simplificação dos procedimentos ligados ao comércio externo.
Quadruplicar as exportações até 2030
O presidente executivo da GAFI sublinhou, por sua vez, a disponibilidade das autoridades para apoiar o grupo italiano de forma a acelerar a implementação do projeto.
Fundada em 1986 pelo empresário italiano Sandro Veronesi, a Oniverse é especializada em collants, meias, peúgas, jeans, leggings e fatos de banho. O grupo possui cerca de 5.700 pontos de venda em 57 países e detém, entre outras, as marcas Calzedonia, Intimissimi, Tezenis, Falconeri e Antonio Marras.
A Oniverse, que emprega cerca de 45.000 pessoas em todo o mundo, registou um volume de negócios de 3,5 mil milhões de euros em 2024, dos quais 62% provenientes do mercado internacional, segundo dados publicados no seu site oficial.
No Egito, o setor têxtil e do vestuário constitui uma alavanca estratégica para impulsionar as exportações industriais. O Conselho das Exportações de Vestuário prevê receitas de 4,4 mil milhões de dólares já em 2026, impulsionadas principalmente pelas exportações de pronto-a-vestir. O objetivo estabelecido pelo governo é atingir 11,5 mil milhões de dólares em receitas anuais até 2030, quase quatro vezes o nível registado em 2024 (2,8 mil milhões de dólares).
Walid Kéfi













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.