Esta operação visa financiar o desenvolvimento do tecido económico na África Oriental e Austral, com foco na criação de emprego, no empoderamento das mulheres e na adaptação às alterações climáticas.
A Proparco, filial do grupo Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) dedicada ao setor privado, anunciou, na terça-feira, 21 de abril, um compromisso de 17,25 milhões de dólares no Alterra Africa Accelerator Fund LP (Fundo AAA), um veículo de capital de crescimento destinado a empresas africanas em expansão.
Um fundo orientado para empresas africanas em crescimento
Gerido pela Alterra Capital Partners, o Fundo AAA tem como alvo empresas rentáveis e posicionadas em segmentos estratégicos das economias africanas, nomeadamente na África Oriental e na África Austral. Dá prioridade a empresas já estabelecidas, com potencial de crescimento e capacidade para gerar emprego e valor acrescentado no continente.
Com o financiamento da Proparco, o Fundo pretende reforçar a sua capacidade de investimento em empresas capazes de criar empregos e gerar valor acrescentado local. A carteira atual da Alterra inclui, nomeadamente, empresas ativas nos setores agroalimentar, da restauração, do turismo e dos serviços, distribuídas por vários países africanos, incluindo o Quénia, a África do Sul, a Tanzânia, o Uganda e o Ruanda.
Entre estas empresas destacam-se a Java House, presente no setor de cadeias de café na África Oriental (Quénia), a Chill Beverages, do setor de bebidas na África do Sul, a ARP Africa Travel Group, operadora de turismo e serviços de viagem na África Oriental, e o Cobra Group, especializado em serviços logísticos e de segurança. Segundo a Proparco, «estas empresas sustentam mais de 4.000 empregos diretos, dos quais 48% são ocupados por mulheres e 60% por pessoas com menos de 35 anos».
Uma operação marcada pelo fecho do fundo e pelo interesse dos investidores
Este investimento marca o «fecho final» do Fundo de Aceleração Alterra Africa, lançado em 2020 na sequência da separação da equipa africana do The Carlyle Group. Sediado nas Maurícias, este veículo pan-africano tinha como objetivo uma capitalização entre 300 e 400 milhões de dólares, visando constituir uma carteira diversificada de empresas líderes nos seus mercados.
Além da Proparco, o fundo atraiu investidores institucionais como o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a Sociedade Financeira Internacional (SFI). Esta participação reflete o interesse pelo capital de investimento direcionado para empresas africanas em crescimento, num contexto em que o acesso ao financiamento continua limitado.
Segundo um relatório publicado a 14 de abril pela ONE Data, plataforma da ONG ONE Campaign, os custos de financiamento em África aumentaram 91% entre 2020 e 2024. Este aumento explica-se pelos efeitos persistentes da pandemia de covid-19, pelo aumento das taxas de juro a nível global e pelas tensões geopolíticas.
Sandrine Gaingne












