A introdução em bolsa da Dangote Refinery, avaliada até 25 mil milhões de dólares, deve reforçar a autossuficiência energética da Nigéria, desenvolver a petroquímica e apoiar a segurança alimentar, ao mesmo tempo que oferece aos investidores locais dividendos em nairas ou dólares.
O presidente do Dangote Group, Aliko Dangote (foto), anunciou que os nigerianos poderão adquirir ações da Dangote Refinery nos próximos quatro a cinco meses, enquanto a empresa prepara a sua introdução em bolsa. "Os nigerianos também terão a oportunidade, dentro de um prazo máximo de quatro a cinco meses, de comprar efetivamente as suas ações", afirmou o líder.
A declaração foi feita no sábado, 21 de fevereiro, durante uma visita à refinaria por Bayo Ojulari, diretor-geral da companhia pública de petróleo (NNPC), acompanhado por altos dirigentes da empresa pública. Aliko Dangote lembrou o papel fundamental da NNPC como parceira e acionista da refinaria, esclarecendo que a NNPC detém atualmente 7,25% do capital da Dangote Refinery.
Os dividendos poderão ser recebidos em nairas ou dólares americanos, já que a refinaria gera receitas significativas em divisas graças às exportações de combustíveis e produtos petroquímicos.
Uma abertura ao público para democratizar a propriedade
A abertura das ações ao público visa democratizar a posse de um ativo nacional estratégico, reforçar a liquidez e a capitalização do mercado de ações nigeriano e permitir que os investidores individuais beneficiem de dividendos e mais-valias. Com uma avaliação estimada entre 20 e 25 mil milhões de dólares, a refinaria poderá ver a sua valorização final consolidada com uma possível dupla cotação na Bolsa de Londres. As receitas projetadas de exportação, principalmente provenientes de produtos petroquímicos como polipropileno e fertilizantes, deverão apoiar a distribuição de dividendos em dólares e fornecer um mecanismo de proteção contra a volatilidade do naira.
Este anúncio do bilionário nigeriano chega num contexto marcado pelas primeiras iniciativas para aumentar a capacidade da refinaria para 1,4 milhão de barris por dia, nos próximos três anos, tornando-a a maior fábrica deste tipo no mundo.
A Dangote Refinery, com capacidade para processar 650 mil barris por dia, cobre todas as necessidades internas de gasolina, diesel, querosene e combustível para aviação, podendo exportar até 40% da sua produção. O local está também a expandir-se na petroquímica, com uma capacidade anual de 400 mil toneladas de benzeno alquilado, quantidade suficiente para abastecer todo o continente africano, e prevê produzir surfactantes para a indústria de detergentes, consolidando o seu papel como um polo industrial além do refino.
A refinaria suporta uma dívida de 3,65 mil milhões de dólares, sendo 2 mil milhões em empréstimos sindicados senior e 1,65 mil milhões em empréstimos intra-grupo, que os rendimentos operacionais deverão permitir pagar até 2027, complementados pela venda de ativos do grupo.
Aliko Dangote também mencionou a possibilidade de uma colaboração com a NNPC em alguns campos de petróleo upstream, nomeadamente os blocos 71 e 72, reforçando a sinergia entre a produção de petróleo e o refino. A refinaria faz parte de uma estratégia mais ampla que visa a autossuficiência energética da Nigéria e o desenvolvimento industrial do país, ao mesmo tempo que apoia a segurança alimentar do continente através da expansão em fertilizantes e produtos químicos.
Olivier de Souza













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