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Níger: acionistas da BOA não receberão dividendos após um ano difícil em 2025

Níger: acionistas da BOA não receberão dividendos após um ano difícil em 2025
Segunda-feira, 23 de Março de 2026

O ambiente económico restritivo e a forte contração do lucro são as principais razões invocadas pelo conselho de administração da BOA Níger para justificar a sua decisão. Os resultados do exercício de 2025 serão apresentados aos acionistas na sexta-feira, 3 de abril.

Os acionistas da Bank of Africa (BOA) Níger não receberão dividendos referentes ao exercício de 2025, uma primeira vez após vários anos de distribuição regular. A informação consta de um relatório recente do banco.

O conselho de administração submeterá esta proposta à aprovação da Assembleia Geral Ordinária dos acionistas na sexta-feira, 3 de abril. «O resultado do exercício de 2025 não permite o pagamento de dividendos aos acionistas», indicou o banco, referindo-se a um ano particularmente difícil do ponto de vista económico e financeiro.

O lucro líquido caiu para 409,26 milhões FCFA (aproximadamente 717 mil dólares) em 31 de dezembro de 2025, contra mais de 5 mil milhões FCFA em 2024, representando uma diminuição espetacular de 91,8%. Este desempenho negativo deve-se, entre outros fatores, à retração do produto líquido bancário (-1,2%) e ao aumento das despesas gerais (+3,9%), parcialmente relacionado com encargos fiscais excecionais. A rentabilidade sobre o capital próprio (ROE) desmoronou-se, passando de 11,39% em 2024 para 1,05% em 2025.

Para além dos fatores internos, a filial nigerina do grupo marroquino Bank of Africa destaca um ambiente económico ainda degradado no Níger, marcado pelas repercussões das sanções resultantes do golpe de Estado de julho de 2023. Neste contexto, o setor bancário enfrenta um aumento das dívidas em incumprimento. O volume de crédito da BOA Níger recuou 20,9% em relação ao ano anterior.

Um saldo de prejuízos acumulados

O conselho de administração decidiu ainda destinar a totalidade do lucro líquido do exercício à redução do saldo de prejuízos acumulados, que inicialmente era de 1,4 mil milhões FCFA. Apesar desta alocação, o défice acumulado dos exercícios anteriores resulta num saldo final de 1,8 mil milhões FCFA, tornando impossível qualquer distribuição de dividendos, segundo o banco.

Esta decisão representa uma ruptura com a política de remuneração adotada nos últimos anos. O dividendo por ação tinha registado um crescimento contínuo, passando de 385,95 FCFA em 2018 para um pico de 613,80 FCFA em 2022. Seguiu-se uma diminuição para 609,15 FCFA em 2023, antes de cair para 209,25 FCFA em 2024.

Contudo, o banco garante que continua sólido, com níveis de solvabilidade e liquidez superiores às normas. Para 2026, a BOA Níger aposta numa melhoria dos seus resultados graças à digitalização, ao apoio às PME e a uma melhor gestão de custos. O banco prevê assim um resultado antes de impostos de 7,2 mil milhões FCFA, o que representaria um crescimento de 515,3% face ao exercício anterior. Para atingir este objetivo, aposta no aumento do produto líquido bancário, na redução das despesas operacionais e, sobretudo, na diminuição do custo do risco.

Sandrine Gaingne

 

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