O Gabão prevê mobilizar 13,8 mil milhões de FCFA para participações nos setores agroindustrial, de transporte aéreo, habitação e finanças multilaterais, com o objetivo de retomar o controlo dos seus motores de crescimento.
O Estado gabonês planeia liberar em 2026 a quantia de 3,9 mil milhões de FCFA (cerca de 6,9 milhões de dólares) para finalizar a aquisição de 35% do capital do Agro Business Group. A informação consta da Lei de Finanças de 2026.
A operação culmina um processo iniciado em maio de 2024, com a assinatura de um acordo para a aquisição de 2 590 000 ações. Nenhum detalhe foi fornecido sobre o calendário ou as modalidades de mobilização dos financiamentos.
Através desta participação, o Estado pretende desempenhar um papel direto na governação do Agro Business Group, nomeadamente através da nomeação de representantes para o conselho de administração. O objetivo é estabilizar a empresa, garantir as suas atividades industriais e preservar cerca de 800 empregos diretos nas cidades de Bitam, Mitzic, Nzilé e Kango. Em contrapartida, a empresa compromete-se a manter e modernizar os seus meios de produção no território nacional.
A empresa, anteriormente conhecida como Siat-Gabon, especializada na produção de borracha, óleo de palma e pecuária, enfrenta dificuldades há vários anos, incluindo tensões de tesouraria que levaram à suspensão temporária das suas atividades. Fragilizada por estes desempenhos insuficientes, acabou por ser retirada da cotação da Bourse des valeurs mobilières de l'Afrique centrale em 17 de fevereiro de 2023, por decisão da Commission de surveillance du marché financier d’Afrique centrale, devido a incumprimentos das regras de mercado.
Esta aquisição visa relançar o setor agroindustrial e proteger a cadeia de valor local. Neste contexto, a Banque pour le commerce et l’entrepreneuriat du Gabon, em colaboração com o governo, criou o «Fundo de Crédito Agrícola a Taxa Reduzida» (CATR). Com um envelope de 6,8 mil milhões de FCFA (cerca de 12 milhões de dólares), este mecanismo pretende facilitar o acesso ao financiamento para promotores de projetos nos setores agrícola e avícola.
Sandrine Gaingne












