A RDC tem dificuldade em sair da lista cinzenta do GAFI, onde foi colocada em outubro de 2022. Neste contexto, a Visa promove uma nova abordagem da conformidade no país: passar de uma lógica puramente regulamentar para um instrumento de confiança, competitividade e segurança, baseado no risco, nos dados e na tecnologia.
Em Kinshasa, a Visa reuniu, nos dias 21 e 22 de abril de 2026, reguladores, bancos e atores do setor financeiro num workshop dedicado a «a conformidade de outra forma», com uma ambição clara: fazer evoluir a conformidade de uma obrigação regulamentar para um instrumento estratégico do sistema financeiro congolês.
Organizada em parceria com o Banco Central do Congo (BCC) e a Associação Congolesa de Bancos (ACB), esta iniciativa ocorre num contexto em que a RDC permanece na lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira (GAFI), sinal de fragilidades persistentes na luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo.
Para a Visa, o desafio é operar uma verdadeira mudança de paradigma. «Trata-se de evoluir de forma duradoura as práticas e mentalidades em matéria de conformidade na RDC», explica Sophie Kafuti, diretora-geral da Visa RDC.
Esta evolução passa nomeadamente por uma transição para uma conformidade baseada no risco, integrando mais dados, análise e ferramentas tecnológicas. O objetivo é também reduzir a dependência do numerário, ainda dominante na economia congolesa e pouco rastreável.
A Visa defende uma visão na qual a conformidade se torna um fator de competitividade. «Uma conformidade robusta cria um quadro de confiança […] condição essencial para relações financeiras duradouras», sublinha a empresa.
Para os bancos, isto traduz-se numa maior credibilidade junto de investidores e parceiros internacionais. Para os consumidores, em pagamentos mais seguros. E para a economia, num ambiente mais favorável ao desenvolvimento do comércio eletrónico e dos serviços digitais.
Nesta dinâmica, a Visa destaca as suas soluções baseadas em dados, inteligência artificial e análise de transações, permitindo nomeadamente a deteção de fraudes em tempo real, a identificação de redes de «money mules» e uma vigilância mais precisa dos fluxos financeiros.
Investimento estratégico
A empresa apoia-se também na sua rede global de pagamentos para partilhar tipologias de fraude e boas práticas adaptadas aos mercados emergentes. Um protocolo de cooperação com o BCC prevê ainda formações, transferência de competências e apoio técnico às instituições financeiras.
Do lado dos bancos, esta evolução é vista como necessária. «A conformidade deve ser encarada como um investimento estratégico», considera Jolie Mbala, presidente da comissão de conformidade da ACB. Segundo a diretora de conformidade do Ecobank RDC, quando bem integradas, a conformidade, a inclusão financeira e o crescimento do setor bancário reforçam-se mutuamente e contribuem para o desenvolvimento sustentável do sistema financeiro.
As instituições devem, no entanto, lidar com várias limitações estruturais: predominância do numerário, baixa fiabilidade dos dados dos clientes ou ainda a inadequação entre certas normas internacionais e as realidades locais. Além disso, a digitalização, apresentada como um instrumento de conformidade, traz também novos riscos: fraudes digitais, criptoativos ou aumento de transações de baixo valor mas alta frequência.
Para a Visa, a resposta passa por uma abordagem combinada: antecipar novas ameaças, reforçar capacidades de deteção e melhorar a cooperação entre atores públicos e privados.
Para além do workshop, o objetivo é estruturar uma dinâmica de longo prazo. «A conformidade não pode ser eficaz se se basear apenas em normas […] deve estar integrada na estratégia das instituições», insiste Sophie Kafuti.
Num país onde a modernização do sistema financeiro ainda está em curso, esta transformação surge como uma condição essencial para reforçar a estabilidade, atrair investimentos e acompanhar a expansão dos pagamentos digitais.
Pierre Mukoko em Kinshasa













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