Ao tornar-se acionista maioritário da Banque agricole et commerciale, a Vista Group Holding inicia a sua entrada no mercado bancário do Chade. O grupo pretende aí implementar a Vista Bank num contexto caracterizado por um baixo nível de inclusão financeira e um acesso limitado ao crédito.
A Vista Group Holding, controlada pelo banqueiro burquinabê Simon Tiemtoré, obteve todas as autorizações regulamentares necessárias para a aquisição de uma participação maioritária no capital da Banque agricole et commerciale (BAC) do Chade. O anúncio foi feito na segunda-feira, 30 de março, pelo Ministério das Finanças chadiano.
Na sequência desta operação, o grupo financeiro da África Ocidental torna-se acionista maioritário da instituição. Os detalhes relativos ao volume de ações adquiridas e ao montante da transação não foram divulgados.
Além disso, as modalidades da operação não foram especificadas, quer se trate de um aumento de capital ou de uma cessão de participações por acionistas existentes. Através desta aquisição, a Vista Group pretende criar e implementar a Vista Bank no Chade. A BAC deverá passar a designar-se Vista Bank Chade.
Uma estratégia de expansão na África Subsaariana
Presente em cinco países da África Subsaariana, através de filiais bancárias na Gâmbia, Guiné, Serra Leoa, Burkina Faso e Moçambique, a Vista Group Holding inicia com esta operação a sua primeira implantação na África Central. O grupo prossegue o objetivo de expandir a sua rede para 25 países do continente nos próximos anos. Em julho de 2025, anunciou projetos de abertura de novas entidades bancárias na Costa do Marfim e no Senegal, com um nível de avanço significativo no projeto marfinense.
A aquisição da BAC insere-se nesta dinâmica, permitindo ao grupo aceder a um novo mercado e implementar o seu modelo bancário num ambiente onde a procura por serviços financeiros ainda está em fase de estruturação.
Um mercado bancário pouco desenvolvido e pouco inclusivo
Criada em 1998, a BAC atua no financiamento de atividades agrícolas e comerciais no Chade. Ocupa uma posição limitada no sistema bancário local, com uma quota de mercado de crédito de 0,39% no primeiro trimestre de 2025, segundo o relatório da Banque des États de l’Afrique centrale sobre a evolução das taxas de juro praticadas pelas instituições de crédito na Communauté économique et monétaire de l’Afrique centrale.
O setor bancário chadiano conta com dez instituições em atividade. De acordo com o relatório país Chade 2025, publicado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, caracteriza-se por uma baixa inclusão financeira, com apenas 15% da população a ter acesso a serviços bancários formais. O crédito ao setor privado permanece limitado (menos de 10% do PIB, contra mais de 30% em média na África Subsaariana) e os bancos concedem sobretudo créditos de curto prazo.
Chamberline Moko













Marrakech. Maroc