Essa escolha ocorre em um contexto de volatilidade do mercado petrolífero. O preço do petróleo bruto caiu em 2025, em meio a crescentes temores de excesso de oferta.
Durante uma breve reunião virtual realizada no domingo, os oito principais membros da OPEP+ decidiram não alterar suas metas de produção para os meses de janeiro, fevereiro e março. Essa orientação confirma uma decisão tomada em novembro passado, quando o grupo optou por suspender temporariamente os aumentos de produção durante o trimestre, devido a uma demanda sazonalmente mais fraca durante o inverno no hemisfério norte.
Os países envolvidos são Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã. Juntos, eles representam mais da metade da produção mundial de petróleo. Em 2025, esses oito produtores haviam elevado suas metas de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, o equivalente a quase 3% da demanda mundial, em uma estratégia destinada a recuperar participação de mercado após vários anos de cortes voluntários voltados a sustentar os preços. Segundo a Reuters, nenhum novo ajuste foi discutido durante a primeira reunião do ano.
Essa decisão de estabilidade no curto prazo ocorre enquanto o mercado petrolífero sai de um ano difícil. Em 2025, os preços do petróleo bruto recuaram mais de 18%, registrando a maior queda anual desde 2020. Esse recuo se explica, em grande parte, por preocupações persistentes com o excesso de oferta.
Um mercado sob pressão diante do risco de excedente
A prudência demonstrada pela OPEP+ ganha um significado especial à luz do atual contexto geopolítico, marcado por tensões persistentes entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos em torno do conflito no Iêmen, bem como pelas incertezas que cercam o futuro da Venezuela, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Enquanto aumentam as dúvidas sobre as perspectivas da produção petrolífera para o novo ano, a Agência Internacional de Energia apresentou algumas chaves de análise em um relatório publicado em outubro passado. A agência explicou, em especial, que o futuro do mercado permanece ligado à reintrodução gradual no mercado de volumes anteriormente retirados pela OPEP+, combinada com o crescimento da oferta fora do cartel, especialmente nos Estados Unidos, Brasil, Canadá, Guiana e Argentina.
Em uma atualização publicada em dezembro, a organização prevê para 2026 um excedente de cerca de 3,8 milhões de barris por dia, ligeiramente inferior às estimativas anteriores. Essa revisão se deve a perspectivas de oferta revistas para baixo, relacionadas, em especial, às sanções que afetam a Rússia e a Venezuela, bem como a um crescimento da demanda ligeiramente mais forte do que o previsto.













King Abdulaziz International Conference Center, Riyadh - « Dawn of a global cause: Minerals for a new age of development »