Os Vodun Days são um grande evento cultural organizado no Benim com o objetivo de celebrar, valorizar e dar visibilidade ao vodun, uma religião ancestral profundamente enraizada na história e na identidade do país. Criados pelo Estado beninense no início da década de 2020, realizam-se todos os anos por volta de 10 de janeiro, data há muito consagrada como feriado nacional das religiões tradicionais. Por meio dessa iniciativa, o Benim afirma o vodun não apenas como uma espiritualidade viva, mas também como um património cultural, histórico e artístico de alcance internacional.

O vodun nasceu no território do atual Benim antes de se difundir pelas Américas no contexto do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Ele está na origem de numerosas práticas espirituais hoje presentes no Haiti, no Brasil, em Cuba ou na Luisiana, sob formas por vezes transformadas, mas sempre ligadas às suas raízes africanas. Os Vodun Days inscrevem-se nessa continuidade histórica e simbólica, criando um espaço de reconexão entre a África e as suas diásporas, ao mesmo tempo que asseguram a transmissão às jovens gerações beninenses.

Durante vários dias, diferentes cidades do sul do país, em particular Ouidah — lugar emblemático do vodun e da memória da escravidão — acolhem cerimónias rituais, danças sagradas, procissões, concertos, exposições e conferências. Essas atividades são organizadas em estreita colaboração com as autoridades religiosas, os conventos vodun, as comunidades locais e os artistas. O objetivo é mostrar o vodun tal como é praticado hoje, longe das caricaturas e dos estereótipos frequentemente difundidos fora do continente.

Os Vodun Days têm igualmente uma forte dimensão pedagógica e científica. Investigadores, historiadores, antropólogos e intelectuais africanos e estrangeiros são convidados a debater os desafios contemporâneos ligados às religiões tradicionais, ao seu reconhecimento institucional, ao seu papel social e ao seu lugar nas sociedades modernas. Esses intercâmbios contribuem para desconstruir preconceitos persistentes e para reinscrever o vodun numa perspetiva histórica, filosófica e cultural rigorosa.

No plano político e simbólico, o evento expressa uma clara vontade de reapropriação cultural. Durante muito tempo marginalizadas ou estigmatizadas sob o efeito da colonização e da evangelização forçada, as religiões tradicionais recuperam, através dos Vodun Days, uma visibilidade oficial e assumida. O Benim afirma-se assim como um ator central do renascimento cultural africano, assumindo plenamente um património que durante muito tempo foi relegado para segundo plano.

Por fim, os Vodun Days constituem também um importante motor turístico e económico. Atraem visitantes provenientes de África, do Caribe, da Europa e das Américas, interessados em descobrir uma espiritualidade autêntica no seu contexto de origem. Esse afluxo beneficia artesãos, profissionais da hotelaria, guias culturais e comunidades locais, ao mesmo tempo que incentiva um turismo cultural mais respeitoso das tradições e das populações.













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