Após o embargo às exportações de cobalto imposto em fevereiro, a RDC anunciou a retomada dos embarques em outubro de 2025, com a implementação de cotas para os produtores. No entanto, estes não conseguiram enviar o metal antes do final do ano, sob risco de perder os volumes atribuídos.
Na RDC, as cotas de exportação concedidas aos produtores de cobalto para o último trimestre de 2025 poderão ser utilizadas até 31 de março de 2026. Foi o que declarou o regulador congolês em comunicado datado de domingo, 28 de dezembro, e divulgado na quarta-feira, 31 de dezembro, pela Reuters.
O anúncio vem dissipar incertezas geradas pelos gargalos no novo processo de exportação do cobalto congolês. Após ter imposto um embargo sobre os embarques do metal estratégico para a indústria de baterias de veículos elétricos, Kinshasa substituiu-o em outubro por cotas de exportação. Segundo este sistema, estavam previstas 18.125 toneladas de cobalto para exportação entre outubro e dezembro de 2025.
Como reportou a Agência Ecofin, várias empresas não conseguiram utilizar suas cotas, já que o quadro regulatório não permite, em princípio, transferir ou postergar essas exportações. Vale notar que o ministro das Finanças, Doudou Fwamba, declarou há alguns dias que as exportações de cobalto “retomaram-se”, sem detalhar os volumes exportados ou as empresas envolvidas.
A CMOC, um dos principais produtores de cobalto na RDC, com uma cota de exportação de 6.650 toneladas para o quarto trimestre de 2025, estimou que os primeiros embarques não deixariam o país antes de janeiro. O processo administrativo continuou durante as últimas semanas de 2025, com a coleta de amostras para os primeiros embarques de cobalto sob o novo regime de cotas e os pagamentos aduaneiros.
Embora a incerteza em torno das cotas não utilizadas em 2025 tenha sido dissipadа, outros desafios permanecem para o governo congolês, que precisa demonstrar sua capacidade de aplicar de forma sustentável este novo quadro. O embargo imposto em fevereiro, em um contexto de mercado excedentário que pressionava os preços, coincidiu com a valorização do metal em 2025.
Se o objetivo de melhorar os preços for alcançado, Kinshasa também terá de lidar com os riscos de substituição do cobalto por outros metais. Alguns analistas alertam que as restrições à oferta congolesa poderiam levar os industriais a acelerar esforços para reduzir o uso de cobalto na fabricação de baterias elétricas.













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