Após um ano de 2025 marcado por uma série de recordes históricos, o mercado do ouro continua a alimentar expectativas de alta entre as grandes instituições financeiras, num contexto de antecipação de cortes nas taxas de juros, especialmente nos Estados Unidos, e de uma procura sustentada por ativos considerados como refúgios seguros.
O banco americano **Morgan Stanley antecipa um preço do ouro a US$ 4.800 por onça no quarto trimestre de 2026, segundo uma nota publicada na segunda‑feira, 5 de janeiro. Esta projeção, se concretizada, ultrapassaria os máximos alcançados no final de 2025 pelo metal precioso.
Na sua análise, o Morgan Stanley salienta vários fatores que podem sustentar o preço do ouro. O banco cita nomeadamente a perspetiva de novas quedas nas taxas de juros, uma possível mudança de liderança na Reserva Federal dos EUA e a continuação das compras de ouro por parte dos bancos centrais e de alguns fundos de investimento.
Taxas de juros mais baixas reduzem, de facto, o rendimento dos investimentos em obrigações, o que tende historicamente a reforçar o apelo do ouro — um ativo que não gera rendimento, mas é visto como uma reserva de valor. A nota menciona também eventos recentes na Venezuela como fator que pode reforçar a posição do ouro como porto‑seguro, embora esse elemento não tenha sido incorporado explicitamente na construção da previsão numérica.
Tendência de alta e perspetivas
A projeção do Morgan Stanley insere‑se na continuação de um ciclo de alta iniciado bem mais cedo do que o previsto. Já em outubro de 2025, o ouro ultrapassou pela primeira vez o simbólico limiar dos US$ 4.000 por onça, superando as previsões de várias instituições financeiras. O metal precioso atingiu um recorde histórico de US$ 4.549,71 por onça em 26 de dezembro de 2025 e terminou o ano com uma progressão anual de 64 %, a sua melhor performance desde 1979.
Se o Morgan Stanley prevê que a tendência de alta continue em 2026, outros analistas são ainda mais optimistas. Instituições como JP Morgan, Bank of America e o gabinete Metals Focus já referiram a possibilidade de o preço do ouro ultrapassar o limiar dos US$ 5.000 por onça este ano.
O mercado tem sido acompanhado de perto por muitos países produtores, nomeadamente em África, onde o ouro constitui uma fonte importante de receitas de exportação e receitas públicas. Economias como Gana, Mali, Burkina Faso, Tanzânia e Zimbábue dependem significativamente do rendimento gerado pela exploração do metal amarelo.













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