Ao assinar este novo acordo energético com o Líbano, o Egito continua a reforçar a sua presença nos mercados regionais de energia. O protocolo insere-se, de facto, numa estratégia mais ampla baseada no gás e no desenvolvimento das trocas de eletricidade através de recursos renováveis.
No final de dezembro de 2025, o Egito e o Líbano assinaram um memorando de entendimento relativo ao fornecimento de gás natural à central elétrica de Deir Ammar. O acordo foi celebrado em Beirute entre o ministro egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais, Karim Badawi, e o seu homólogo libanês, Joe Saddi, na presença do primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam.
O objetivo é apoiar a produção de eletricidade no Líbano, num contexto de fortes constrangimentos sobre o sistema elétrico nacional. Segundo as autoridades egípcias, este protocolo insere-se na continuidade da recente visita oficial do primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly, ao país dos cedros. Não foram divulgados quaisquer detalhes relativos aos volumes de gás envolvidos, ao calendário de fornecimento ou às modalidades financeiras.
A central de Deir Ammar dispõe de uma capacidade instalada de cerca de 465 MW, de acordo com dados oficiais da Electricité du Liban. Representa aproximadamente 15 % da capacidade elétrica total do país, estimada em cerca de 3 000 MW.
Este acordo enquadra-se numa dinâmica mais ampla destinada a reforçar o papel regional do Egito no setor da energia. Segundo o Annual Statistical Bulletin 2024 da OPEP, o Egito foi o segundo maior produtor de gás natural em África em 2023. O país dispõe de infraestruturas desenvolvidas para a produção, o tratamento e a exportação de gás natural, incluindo redes de transporte e capacidades de liquefação.
Paralelamente, o país desenvolve as suas capacidades de produção de eletricidade, nomeadamente a partir de energias renováveis, e reforça o seu posicionamento através de projetos de interligações elétricas. A República Árabe está, assim, a desenvolver uma interligação com a Arábia Saudita, com uma capacidade prevista de 3 000 MW, enquanto outro projeto, denominado GREGY, visa ligá-la à Grécia.
Abdoullah Diop













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