À medida que a expansão das redes elétricas avança lentamente nas zonas rurais africanas, além de ser cara, as soluções renováveis descentralizadas afirmam-se cada vez mais como uma resposta adequada às restrições geográficas e económicas.
No mundo, mais de 666 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à eletricidade, das quais mais de 80 % em África, principalmente em áreas rurais e isoladas. Na África Subsaariana, mais especificamente, a taxa de acesso à eletricidade era de 31,6 % nas zonas rurais, contra 82,2 % nas zonas urbanas em 2023, segundo dados do Banco Mundial.
Neste contexto, as soluções energéticas descentralizadas surgem como uma opção destinada a ganhar crescente importância nas trajetórias de eletrificação do continente. A Agência Internacional de Energia sublinha, a este respeito, no seu relatório Financing Electricity Access in Africa, publicado em outubro passado, que cerca de 55 % dos novos acessos à eletricidade até 2035 poderão provir de soluções descentralizadas.
Dados recentes confirmam que esta dinâmica já está em curso. Segundo a IRENA, a capacidade global de energias renováveis descentralizadas passou de 6 GW em 2015 para 11,1 GW em 2024. Estas capacidades permitem hoje fornecer eletricidade a 86 milhões de pessoas, das quais mais de três quartos vivem em África.
No âmbito desta evolução, a energia solar desempenha um papel central. Entre 2015 e 2024, a capacidade solar descentralizada aumentou de 1,02 GW para 4,05 GW, enquanto a bioenergia registou um crescimento mais moderado, passando de 4,2 GW para 5,1 GW. O solar, portanto, concentra a maior parte do crescimento das capacidades descentralizadas, devido à sua modularidade, rapidez de implementação e adaptação às zonas rurais afastadas.
Assim, a médio e longo prazo, o considerável potencial solar de África e as restrições geográficas das áreas não servidas farão da energia solar descentralizada uma solução sustentável a considerar nas estratégias de acesso à eletricidade no continente.
Abdoullah Diop













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