Na África subsaariana, alcançar o acesso universal à eletricidade passa cada vez mais por soluções descentralizadas, capazes de servir zonas onde a expansão das redes públicas continua complexa. Paralelamente, a mobilização de financiamento torna-se um desafio crucial.
O fundo Acumen anunciou na terça-feira, 6 de janeiro, ter atingido o objetivo de captação de fundos da sua iniciativa Hardest-to-Reach, dedicada ao acesso à eletricidade fora da rede na África subsaariana. O programa mobiliza um total de 250 milhões de dólares de capital misto, destinado a apoiar a implementação de soluções solares descentralizadas em áreas pouco ou nada servidas pelas redes nacionais.
Esta etapa marca, nomeadamente, o encerramento financeiro do fundo de dívida H2R Amplify, elevado a 180 milhões de dólares, após uma nova contribuição de 7,8 milhões de dólares da Swiss Agency for Development and Cooperation (SADC). A este financiamento juntam-se 18 milhões de dólares em subsídios, previstos para serem utilizados sob a forma de mecanismos de remuneração baseados em impacto em benefício das empresas financiadas. Segundo a Acumen, a iniciativa visa alcançar cerca de 70 milhões de pessoas na África subsaariana, das quais 50 milhões terão acesso à eletricidade pela primeira vez em 17 países do continente africano, sobretudo na África subsaariana.
"O compromisso da SADC e o fecho final do Amplify marcam um passo importante para a Hardest-to-Reach", declarou Jiwoo Choi, responsável pelas iniciativas estratégicas e chefe da iniciativa Hardest-to-Reach na Acumen. "Nos últimos dois anos, reunimos parceiros alinhados em torno de um objetivo comum: abrir o acesso à energia nas zonas mais remotas e vulneráveis. Passar de uma estratégia anunciada para capitais totalmente comprometidos dá-nos a base necessária para continuar este trabalho com clareza e determinação."
Este anúncio surge num contexto em que as soluções energéticas descentralizadas ocupam um lugar crescente nas estratégias de acesso à eletricidade. No seu relatório "Financing Electricity Access in Africa", a Agência Internacional de Energia (AIE) indica que as mini-redes e os sistemas solares autónomos são agora reconhecidos como soluções rentáveis, especialmente em zonas rurais. Na África subsaariana, os financiamentos direcionados para estas soluções atingiram 870 milhões de dólares em 2023, um aumento de 20% em relação a 2019.
Segundo o cenário ACCESS da AIE, serão necessários investimentos acumulados de 150 mil milhões de dólares até 2035 para alcançar o acesso universal à eletricidade em África, dos quais cerca de 8 mil milhões de dólares por ano, em média, serão destinados a mini-redes e sistemas solares domésticos.
Abdoullah Diop













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