Localizado na bacia do rio Zambeze, o projeto visa assegurar o abastecimento energético nos dois países da África Austral, onde os cortes de eletricidade podem ultrapassar as 12 horas por dia.
Os governos da Zâmbia e do Zimbabué comprometeram-se a mobilizar cada um 220 milhões de dólares norte-americanos para relançar o projeto hidroelétrico de Batoka Gorge, cujo custo total é estimado em 4,2 mil milhões de dólares. A decisão foi tomada após uma reunião do Conselho de Ministros da Autoridade do Rio Zambeze (ZRA), entidade responsável pela gestão de projetos hidroelétricos conjuntos, realizada no final de 2025. Segundo informações divulgadas na quinta-feira, 8 de janeiro, pelo jornal The Zimbabwean, o compromisso conjunto de 440 milhões de dólares visa reforçar a viabilidade financeira do projeto e atrair capitais privados.
Prevista para a bacia do rio Zambeze, perto das Cataratas Vitória, na fronteira entre os dois países, a central hidroelétrica de Batoka Gorge deverá ter uma potência de 2 400 megawatts (MW) e, uma vez concluída, fornecer 1 200 MW a cada país, fortalecendo assim os respetivos sistemas elétricos nacionais. As obras de construção estavam previstas para começar em 2020, mas sofreram vários atrasos, devido, nomeadamente, à pandemia de coronavírus, às dificuldades de mobilização de financiamento e a uma controvérsia em torno da adjudicação do contrato inicial de construção à General Electric e à Power Construction Corp. of China.
Em junho de 2023, a Zâmbia retirou-se oficialmente do processo de adjudicação deste contrato, denunciando a falta de transparência. No início de 2025, Lusaca e Harare autorizaram a Autoridade do Rio Zambeze a procurar novos investidores para a central, cujos estudos de engenharia, viabilidade e impacto ambiental estão atualmente em curso.
Enquanto a barragem hidroelétrica de Kariba, coluna vertebral do sistema elétrico regional, sofre uma significativa diminuição do seu nível de água, afetada pelas secas ligadas ao fenómeno El Niño e às alterações climáticas, o relançamento do projeto hidroelétrico de Batoka Gorge integra-se numa estratégia mais ampla de assegurar o abastecimento energético na Zâmbia e no Zimbabué.
Walid Kéfi












