Controlada desde 2012 pelo empresário egípcio Naguib Sawiris e sua família, a La Mancha Resource é acionista da Endeavour Mining desde 2015. No início de 2025, essa participação representava mais de 15% do capital do maior produtor de ouro da África Ocidental.
A La Mancha Resource Capital anunciou, no início de janeiro de 2026, uma redução da participação detida por seu fundo de investimento na Endeavour Mining. Trata-se da segunda operação desse tipo realizada em poucos meses pela empresa controlada principalmente pela família do bilionário egípcio Naguib Sawiris (foto).
No âmbito da primeira redução, realizada em maio de 2025, o fundo vendeu 1,5% de participação na Endeavour por um valor não divulgado. A segunda operação, anunciada em 9 de janeiro, permitiu gerar 437 milhões de dólares, por meio da venda de 3,5% da participação do fundo no principal produtor de ouro da África Ocidental. No total, a participação do fundo na Endeavour caiu para 11,1% no início deste ano, contra mais de 15% no início de 2025. Embora as razões da primeira operação não tenham sido detalhadas, vale destacar que a segunda ocorreu em um contexto em que a ação da Endeavour registrou uma valorização de cerca de 200% em um ano.
“Esta transação insere-se na estratégia de gestão de capital implementada pela La Mancha, que visa reduzir o endividamento e reequilibrar o portfólio após um aumento significativo da exposição do Fundo à Endeavour, em razão do forte desempenho do preço de sua ação”, explica a empresa.
Uma relação frutífera há 10 anos
Segundo a comunicação da La Mancha Resource Capital, as vendas sucessivas de participações na Endeavour não refletem uma mudança de convicção da empresa quanto ao “potencial de longo prazo” do produtor de ouro. A companhia afirma ter a intenção de manter uma participação superior a 10% na empresa, bem como uma representação no conselho de administração, até agora assegurada por Naguib Sawiris.
No entanto, os dados da Endeavour em 30 de junho de 2025 mostram que seu segundo maior acionista institucional à época, a BlackRock Investment (13% de participação), estava relativamente próxima da La Mancha (então com 15,6%). Assim, o estatuto de principal acionista da Endeavour pode evoluir nos próximos meses, em função de novas reduções de participação da La Mancha e das decisões de outros investidores. Ainda assim, a empresa controlada por Naguib Sawiris continua sendo uma parceira histórica da companhia.
Adquirida em 2012 pela família Sawiris, a La Mancha Resource era, à época, uma empresa que explorava várias minas de ouro, incluindo a de Ity, na Costa do Marfim. Em 2015, a companhia vendeu esse ativo à Endeavour Mining, em troca de uma participação de 30% no capital da mineradora. Ao longo dos anos, a La Mancha também injetou recursos financeiros na empresa, permitindo à Endeavour desenvolver novas minas de ouro ou expandir a mina de Ity.
A mina marfinense tornou-se assim o principal ativo do portfólio aurífero da Endeavour, com uma produção que passou de 76.000 onças em 2016 para 245.000 onças nos primeiros nove meses de 2025. Além da Costa do Marfim — onde a empresa colocou em operação a mina de ouro Lafigué em 2024 e planeja construir uma nova nos próximos anos — a Endeavour também está presente no Senegal e em Burkina Faso.
Fortalecida pelo crescimento de seu portfólio, impulsionado pelos ativos da Endeavour, a La Mancha conseguiu atrair um novo parceiro em 2021 para o lançamento de um novo fundo de investimento dedicado ao setor de mineração. Esse parceiro estratégico, cuja identidade não foi divulgada, investiu 100 milhões de dólares no projeto. O fundo ampliou posteriormente seus investimentos para além do ouro, adquirindo participações em empresas como a Falcon Energy, que desenvolve um projeto de processamento de grafite no Marrocos, e a Horizonte Minerals, cujo principal ativo é um projeto de níquel no Brasil.
Emiliano Tossou













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