Os diamantes são um pilar da economia do Botswana. Com o mercado destas pedras preciosas em crise, este recurso transformou-se nos últimos anos numa fraqueza, levando as autoridades a acelerar a diversificação da economia, com a exploração de outros recursos minerais.
No Botswana, a empresa mineira britânica Aterian anunciou na segunda-feira, 15 de dezembro, a obtenção de uma nova licença de exploração de cobre. Localizada na cintura de cobre do Kalahari (KCB), esta licença demonstra uma dinâmica que poderá tornar o metal vermelho outro ativo do setor mineiro local, ao lado de uma indústria diamantífera em crise.
Com uma validade inicial de três anos, a licença cobre 396,24 km² e eleva para 2 694,58 km² o portefólio cuprífero da Aterian no Botswana. A empresa pretende integrar esta nova licença nas concessões que farão parte de uma campanha de exploração suportada por inteligência artificial, no âmbito de uma parceria anunciada este mês com a start-up francesa Lithosquare.
O potencial cuprífero do Botswana também motivou outras empresas a investir no setor nos últimos meses, como a Noronex, que obteve novas licenças de exploração em março de 2025, ou a Cobre, que acelerou os seus trabalhos de perfuração. Estas empresas podem tentar replicar o sucesso da Sandfire Resources, que explora desde 2023 a mina Motheo, uma das poucas minas de cobre do país.
Para o governo do Botswana, este dinamismo poderá contribuir a longo prazo para reduzir a dependência do país das receitas provenientes da exploração de diamantes, que representam cerca de 80% das exportações, um terço das receitas fiscais e um quarto do PIB. A crise atual do mercado mundial de diamantes, marcada pela queda dos preços e da procura, tem assim impactos no Botswana, onde a economia deverá contrair-se 0,9% em 2025, segundo as últimas previsões do FMI.
Além do cobre, outros minerais estão a ser considerados para reduzir esta dependência dos diamantes, nomeadamente o manganês e o níquel. O país pretende também diversificar a economia para além das minas, com investimentos em infraestruturas de transporte, turismo de luxo, serviços financeiros e mercado imobiliário.
Emiliano Tossou













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