A produção petrolífera de Angola está em declínio há vários anos. Esta situação fragiliza as finanças públicas de um país que depende dos hidrocarbonetos para as suas exportações. A Sonangol, a companhia nacional, multiplica as operações para manter as suas capacidades.
A companhia petrolífera pública angolana Sonangol concluiu um financiamento de 2,65 mil milhões de dólares junto de um consórcio formado por quatro bancos estrangeiros. A informação foi confirmada por um porta-voz da empresa à Reuters, na terça-feira, 16 de junho.
O consórcio é composto, por um lado, pela Société Générale e pelo First Abu Dhabi Bank e, por outro, pelos grupos sul-africanos Standard Bank Group e Absa Group.
Segundo as informações divulgadas, os fundos mobilizados serão utilizados para cobrir despesas operacionais e investimentos de capital da empresa petrolífera pública. Os termos exatos do financiamento, como a taxa de juro, a duração e a estrutura, não foram especificados.
Embora a Sonangol não tenha detalhado a utilização precisa dos recursos, este financiamento surge num contexto de queda da produção petrolífera e de elevadas necessidades de investimento. Em julho de 2025, a produção de petróleo do país caiu abaixo do nível de um milhão de barris por dia, o valor mais baixo desde março de 2023, devido ao declínio natural dos campos offshore e a um défice crónico de investimento.
Manter e recuperar esta produção exige financiamentos constantes para atividades de perfuração de desenvolvimento e manutenção das instalações existentes.
Uma estratégia de financiamento cada vez mais diversificada
Este financiamento insere-se numa série de operações realizadas pela Sonangol desde o início do ano. Em janeiro, a companhia obteve uma linha de crédito de 1,75 mil milhões de dólares junto do Afreximbank para apoiar as suas atividades de comercialização de petróleo bruto e as suas necessidades de tesouraria, segundo o OilPrice.
Na mesma semana, a empresa captou 750 milhões de dólares nos mercados internacionais através de uma obrigação a cinco anos com uma taxa de cupão de 10%.
Em paralelo, a Sonangol está em negociações com instituições financeiras chinesas para obter 4,8 mil milhões de dólares destinados ao financiamento parcial da construção de uma refinaria no porto atlântico do Lobito. O projeto, avaliado em 6,2 mil milhões de dólares no total, pretende reduzir a dependência de Angola em relação aos produtos petrolíferos refinados importados.
Estas grandes necessidades de financiamento refletem a vulnerabilidade estrutural de um país onde o petróleo representa 20% do PIB e 95% das exportações, segundo dados do Banco Mundial. Neste contexto, qualquer queda da produção tem impacto direto nas finanças públicas e na capacidade de investimento do Estado.
Angola continua fortemente exposto à dívida chinesa. Segundo o embaixador da China em Luanda, Zhang Bin, o valor dos compromissos do país perante credores chineses terá diminuído para cerca de 12,9 mil milhões de dólares em 2025, contra uma estimativa anterior de 24 mil milhões.
Abdel-Latif Boureima













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