A Guiné acelerou, desde 2021, a sua estratégia de transformação local no setor mineiro, com resultados positivos no domínio da bauxite. Enquanto está em curso a construção de várias refinarias de alumina, Conacri espera reproduzir este sucesso no maior projeto de ferro do país.
O Ministério das Minas e da Geologia da Guiné analisou, na quinta-feira, 18 de junho, o estudo de viabilidade de uma unidade de produção de pellets com capacidade para 2 milhões de toneladas por ano para o projeto Simandou. Apresentado conjuntamente pela Simfer SA e pela Baowu, o estudo demonstra que os principais intervenientes industriais envolvidos no desenvolvimento deste megaprojeto de ferro começam a dar uma concretização efetiva às ambições de transformação local de Conacri.
O jazigo de Simandou está dividido entre dois grupos de acionistas. Os blocos 3 e 4 são desenvolvidos pela Simfer, uma joint venture que envolve a australiana Rio Tinto e a empresa estatal chinesa Chinalco, enquanto os blocos 1 e 2 são explorados pelo Baowu Winning Consortium Simandou, no qual participa o China Baowu Steel Group, o maior produtor mundial de aço.
A Convenção de codesenvolvimento assinada por estes diferentes intervenientes prevê a apresentação ao Estado guineense de um estudo de viabilidade para uma siderurgia com capacidade de 500 000 toneladas ou para uma unidade de transformação de 2 milhões de toneladas de pellets num prazo de dois anos após o início da exploração do jazigo.
Depois de décadas de atrasos, Simandou iniciou as suas exportações comerciais para a China no final de 2025, e os volumes exportados têm vindo a aumentar todos os meses. Em plena capacidade, o projeto poderá fornecer até 120 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
As incógnitas do projeto
A opção atualmente analisada para a transformação de parte desta produção é a produção de pellets, um processo que consiste em transformar o minério em pequenas esferas utilizadas pela indústria siderúrgica. Para a Guiné, o interesse é duplo: criar mais valor no próprio país e preparar uma integração mais ambiciosa na cadeia mundial do aço, para além da simples extração.
Segundo os primeiros elementos divulgados, o projeto poderá gerar até 1 950 empregos durante o pico da fase de construção e 788 postos de trabalho permanentes durante a exploração.
No entanto, o estudo de viabilidade ainda não responde a todas as questões. O Ministério não divulgou o custo estimado da unidade, o calendário de desenvolvimento, a estrutura de financiamento nem a data de uma eventual decisão final de investimento. Será também necessário saber se esta unidade será concebida apenas como uma obrigação contratual mínima ou como a primeira etapa de uma cadeia industrial mais ampla em torno do ferro guineense.
A questão energética será igualmente um dos pontos a acompanhar, num país onde o acesso à eletricidade é estimado em cerca de 53% da população pelo Banco Mundial. Até ao momento, o estudo divulgado não especifica as necessidades energéticas da unidade nem a fonte de energia prevista.
Contudo, Conacri não parece disposta a deixar-se travar por este desafio, que também não impediu o lançamento, nos últimos meses, de vários projetos de refinarias de alumina destinados a valorizar a bauxite, financiados nomeadamente por grupos chineses.
Emiliano Tossou













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