Na Libéria, a reabilitação das infraestruturas rodoviárias impõe-se como um instrumento chave para a retoma económica. Num país onde uma parte significativa da população continua isolada, as autoridades apostam em novos investimentos estruturantes para melhorar a conectividade territorial, agilizar o comércio e reduzir os custos de transporte.
A Libéria prepara-se para lançar a fase 1 do projeto rodoviário que liga Nrowkia, Barclayville, Sasstown e Nipleppo, no sul do país. O grupo indiano Ashoka Buildcon indicou na segunda-feira, 16 de fevereiro, ter conquistado o contrato para esta obra avaliada em 45,28 milhões USD. Esta primeira fase cobre 50 dos 96 km previstos para a reabilitação da estrada costeira, um eixo estratégico que deverá também ligar Greenville. O financiamento é assegurado pelo Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO (BIDC).
Iniciado em 2015, o projeto visa apoiar a retoma económica do país da África Ocidental, nomeadamente melhorando a ligação com a cidade portuária de Buchanan. Inicialmente, o financiamento deveria ser garantido pela Eton Finance em parceria com um investidor privado, mas este acordo foi posteriormente suspenso, atrasando o arranque dos trabalhos.
Um eixo rodoviário estratégico
A estrada costeira constitui um corredor comercial essencial para a Libéria. Fortemente danificada durante a segunda guerra civil (1989 – 2003), o seu estado tem durante muito tempo limitado a mobilidade de pessoas e mercadorias nesta parte do território. A sua reconstrução deverá contribuir, segundo as autoridades, para reforçar a integração nacional, reduzir os tempos de viagem e diminuir os custos de operação dos veículos, com impactos esperados tanto para o transporte de passageiros como de carga.
Esta retoma enquadra-se na estratégia governamental para colmatar o défice de infraestruturas, apesar das limitações orçamentais do país. Segundo o relatório «Liberia Poverty Assessment 2023» do Banco Mundial, a fraqueza da rede rodoviária figura entre os principais obstáculos ao desenvolvimento socioeconómico da Libéria. Cerca de 42% da população permanece mal ou não conectada à rede, o que aumenta os custos de transporte e limita o acesso aos mercados, aos serviços sociais e aos centros urbanos.
Em várias zonas rurais, os tempos de deslocação para um centro urbano principal podem variar entre duas e seis horas, ilustrando a dimensão dos desafios logísticos que o país continua a enfrentar.
Henoc Dossa













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