O Forte Jesus é uma fortaleza situada em Mombaça, na costa do Quénia, à entrada do porto natural que durante muito tempo fez da cidade um ponto de ligação do comércio no oceano Índico. A construção foi realizada entre 1593 e 1596 por ordem do rei Filipe II de Espanha, que então também governava Portugal, com o objetivo de proteger os interesses portugueses na costa suaíli. O projeto foi confiado ao arquiteto italiano Giovanni Battista Cairati, envolvido em várias obras militares do império português.

A fortaleza foi erguida sobre um promontório de coral com vista para o mar. A sua planta segue os princípios da arquitetura militar do Renascimento, adaptados ao uso de armas de fogo. Vista do alto, a forma do forte foi muitas vezes descrita como semelhante a uma figura humana, com baluartes colocados de modo a cobrir os principais ângulos de ataque. As muralhas, construídas com pedra coralina ligada por argamassa de cal, ultrapassam quinze metros de altura em alguns pontos. O conjunto incluía baluartes, muralhas, posições de artilharia, armazéns e cisternas de água concebidas para garantir autonomia durante cercos.

O Forte Jesus esteve no centro das disputas pelo controlo da costa da África Oriental. Ao longo do século XVII, foi alvo de vários cercos. O episódio mais marcante ocorreu entre 1696 e 1698, quando forças do Sultanato de Omã cercaram a fortaleza durante quase três anos antes de a conquistarem aos portugueses. Nos anos seguintes, o controlo alternou entre Omã e Portugal até ao início do século XVIII, quando a presença omani se consolidou de forma mais duradoura. No século XIX, o forte foi utilizado por autoridades locais e, mais tarde, pelos britânicos, que o transformaram em prisão após a criação do protetorado na costa queniana no final desse período.

Com o tempo, a função militar do forte foi perdendo importância. Em meados do século XX, quando o Quénia ainda se encontrava sob administração colonial britânica, foram iniciadas obras de restauro para preservar a estrutura. Após a independência em 1963, o Forte Jesus foi integrado no património nacional queniano. Atualmente, abriga um museu gerido pelos Museus Nacionais do Quénia, com coleções de objetos provenientes de escavações arqueológicas, incluindo cerâmicas, armas e artefactos ligados às rotas marítimas entre a África Oriental, a Península Arábica, a Índia e a Europa.

Em 2011, o Forte Jesus foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO. A organização reconheceu o seu valor como testemunho material dos intercâmbios culturais e das redes comerciais do oceano Índico, bem como das mudanças políticas que marcaram a costa suaíli entre os séculos XVI e XIX. Hoje, o local continua a ser uma referência histórica em Mombaça e um ponto de estudo para compreender a longa história de contactos entre a África Oriental e outras regiões do mundo.














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