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Tichitt e Oualata, as cidades esquecidas do deserto mauritano

Tichitt e Oualata, as cidades esquecidas do deserto mauritano
Segunda-feira, 11 de Maio de 2026

No coração das vastas paisagens saariana da Mauritânia, longe das grandes rotas modernas e do turismo convencional, as antigas cidades de Tichitt e Oualata permanecem como testemunhos vivos do passado caravanista do Saara. Juntamente com Chinguetti e Ouadane, ambas estão classificadas como Patrimônio Mundial da UNESCO devido ao seu papel histórico nas rotas transaarianas que ligavam a África Ocidental ao Norte de África e ao Mediterrâneo. Apesar do isolamento e do avanço constante das areias do deserto, continuam a preservar um património cultural e arquitetónico singular.

 1 Tichitt

Tichitt localiza-se no centro-sul da Mauritânia, próximo aos planaltos rochosos da região do Tagant. Os historiadores acreditam que a cidade surgiu por volta do século XII e prosperou graças ao comércio caravanista de sal, cereais, tâmaras e manuscritos. Construída principalmente em pedra seca, a cidade tornou-se conhecida pela sua arquitetura particular, marcada pelo uso de pedras de diferentes cores que antigamente distinguiam grupos sociais ou tribais. As ruas estreitas, as antigas mesquitas e as portas de madeira esculpida ainda evocam o período em que Tichitt era um importante centro comercial e intelectual do Saara.

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A paisagem ao redor de Tichitt contribui para o caráter impressionante do local. O deserto mistura-se com escarpas rochosas, planaltos áridos e pequenos oásis escondidos entre vales moldados pelo tempo. A região também desperta grande interesse arqueológico, pois abriga vestígios de uma das mais antigas civilizações sedentárias da África Ocidental, frequentemente chamada de cultura de Tichitt. Essa profundidade histórica confere à cidade uma atmosfera única, onde o passado parece permanecer presente em cada detalhe da paisagem.

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Mais ao sudeste, perto da fronteira com o Mali, Oualata surge no deserto com os seus tons avermelhados e decoração delicada. Fundada provavelmente no século XI, tornou-se uma das cidades caravanistas mais influentes da África medieval. A cidade manteve relações estreitas com os antigos impérios do Gana e do Mali, afirmando-se como um centro importante de comércio e saber islâmico. Comerciantes, peregrinos e estudiosos que cruzavam o Saara ajudaram a transformar Oualata num espaço de intensa circulação cultural e intelectual.

4 Oualata mur maison

O que mais distingue Oualata é a sua extraordinária arquitetura decorativa. As casas tradicionais em adobe são ornamentadas com desenhos brancos pintados à mão pelas mulheres da cidade, criando fachadas únicas no universo saariano. Esses motivos geométricos e florais fazem parte de uma tradição artística transmitida de geração em geração. Caminhar pelas ruas de Oualata é como percorrer uma galeria a céu aberto, onde muros, portas e pátios revelam séculos de criatividade e identidade cultural.

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A cidade abriga ainda antigas bibliotecas familiares que conservam manuscritos islâmicos de grande valor histórico. Muitos desses textos tratam de teologia, astronomia, literatura e direito, demonstrando a relevância intelectual que Oualata teve durante o auge das rotas transaarianas. Embora frágeis e ameaçadas pelas condições climáticas, essas coleções continuam a simbolizar a tradição erudita que marcou as cidades do deserto mauritano.

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Viajar até Tichitt e Oualata continua a ser uma experiência exigente. As distâncias são longas, as estradas podem ser difíceis e as infraestruturas turísticas permanecem limitadas. No entanto, é precisamente esse isolamento que preserva a autenticidade dos lugares. Quem chega a essas cidades descobre uma Mauritânia silenciosa e profundamente histórica, marcada pela hospitalidade e pela imensidão do deserto. À noite, o céu saariano oferece um espetáculo impressionante, com estrelas que parecem cobrir todo o horizonte. A melhor época para visitar essas regiões costuma ser entre novembro e fevereiro, quando as temperaturas são mais amenas e as condições de viagem mais favoráveis. Devido ao isolamento das cidades, muitos viajantes optam por recorrer a guias locais familiarizados com as rotas do deserto e com a logística da região. Preparação e organização são essenciais, já que os serviços disponíveis permanecem básicos em comparação com destinos turísticos mais desenvolvidos.

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