O cinema africano continua a expandir-se num mercado continental ainda em desenvolvimento. As produções locais atraem cada vez mais atenção internacional e geram um verdadeiro entusiasmo junto dos públicos locais e além-fronteiras.
Após uma seleção entre mais de 16.000 candidaturas provenientes de 164 países, o Sundance Institute escolheu três obras cinematográficas africanas para a edição de 2026 do seu festival de cinema, que se realizará de 22 de janeiro a 1 de fevereiro em Park City e Salt Lake City, nos Estados Unidos. O evento reunirá realizadores, produtores e profissionais do cinema independente em torno de projeções e debates, oferecendo aos criadores africanos uma vitrine estratégica no panorama mundial.
Os filmes selecionados refletem a diversidade de narrativas e formas. “Lady”, realizado na Nigéria e no Reino Unido, retrata o quotidiano de uma motorista de táxi em Lagos confrontada com os desafios urbanos. O documentário queniano “Kikuyu Land” destaca um conflito fundiário envolvendo cidadãos locais, o Estado e interesses multinacionais. “Troublemaker”, da África do Sul, narra as lutas contra o apartheid através da voz de Nelson Mandela e dos arquivos da sua autobiografia “Long Walk to Freedom”.
Esta seleção ilustra o papel crescente do cinema africano no soft power cultural. Amanda Kelso, diretora interina do Sundance Institute, sublinha que a edição deste ano “celebra os artistas e as suas obras visionárias, ao mesmo tempo que convida o público a descobrir narrativas profundamente humanas”. Os filmes selecionados apostam que as histórias africanas podem cativar audiências globais e reforçar a influência cultural do continente.
Esta dinâmica reflete-se nos resultados económicos dos mercados locais. Na Costa do Marfim, o número de espectadores passou de 40.504 em julho para 48.606 em agosto de 2025, uma subida de 20 %, segundo o Office National du Cinéma (ONAC-CI). Paralelamente, o filme senegalês “Une si longue lettre”, distribuído pela Ajamaat Synergy, atraiu 7.348 espectadores em agosto, representando 15,2 % do total do mês. Por seu lado, a Nigéria confirma o seu papel motor com um box-office de 11,5 mil milhões de nairas (cerca de 8 milhões de USD) em 2024, um aumento de 60 % face a 2023, de acordo com a Cinema Exhibitors Association of Nigeria (CEAN).
Félicien Houindo Lokossou













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